A sucessão no Governo do Rio Grande do Norte segue indefinida e cercada de especulações. Duas semanas após a renúncia de Pedro Lopes à Secretaria de Administração, a governadora Fátima Bezerra (PT) pediu ao vice-governador Walter Alves (MDB) a indicação de um novo titular. A solicitação, porém, não foi atendida – e a pasta permanece vaga. A apuração é do Jornal De Fato, que revelou os bastidores da tensão crescente em torno da transição prevista para abril de 2026.
Segundo a reportagem, o silêncio de Walter reforçou rumores de que ele teria recuado da intenção de assumir o governo enquanto Fátima se desincompatibilizaria para disputar o Senado. O motivo central seria o cenário fiscal do Estado. Em reservado, aliados afirmam que o vice-governador não estaria disposto a assumir a administração com baixa margem financeira para investimentos – e com risco de desgaste político.
Nos últimos dias, setores da imprensa chegaram a noticiar que Walter teria desistido de assumir o cargo, o que manteria Fátima no governo até o fim do mandato. Mas nem o vice nem a governadora se pronunciaram publicamente. Internamente, tampouco houve decisão definitiva.
No domingo (30), em entrevista a um blog de São Paulo do Potengi, Walter Alves afirmou que a definição será tomada “no momento certo” e que conversará com Fátima sobre o projeto político-eleitoral de 2026. “Ainda está cedo”, disse.
Essa conversa deve ocorrer nesta terça-feira (2). Conforme publicou o Jornal De Fato, Fátima apresentará ao vice-governador um diagnóstico financeiro completo do Estado – sustentando que o RN está em situação melhor do que em 2019, quando ela assumiu o governo. A equipe econômica, liderada pelo secretário da Fazenda e pré-candidato ao governo Cadu Xavier (PT), preparou uma radiografia das contas públicas para embasar o diálogo.
A preocupação de Walter teria sido alimentada por informações de que o governo estaria antecipando a aplicação de R$ 855 milhões do Programa de Equilíbrio Fiscal (PEF) na segunda etapa do programa de restauração de rodovias. Somando-se outras receitas de investimentos recém-garantidos, os compromissos assumidos entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 ultrapassariam R$ 1,5 bilhão. O vice-governador teme assumir uma gestão sem margem de investimento – ou sem capacidade de honrar compromissos.
Nos bastidores do MDB, a avaliação é clara: Walter só aceitará o comando do Estado caso receba garantias de que haverá estrutura financeira suficiente para governar durante os nove meses previstos. O apoio do governo federal também é considerado essencial.

Cadu Xavier reforça confiança na aliança com o MDB
Enquanto as especulações se intensificam, o secretário da Fazenda e pré-candidato a governador, Cadu Xavier, minimiza qualquer ruído entre PT e MDB. Em entrevista ao jornalista Heitor Gregório, Cadu classificou Walter como “aliado de primeira hora” e negou qualquer sinal de resistência política por parte do vice-governador.
“Walter é um parceiro fiel, um aliado fiel do governo Fátima Bezerra. Ele nunca teve essa conversa – nem comigo, nem com a governadora”, afirmou.
Ainda assim, Cadu reconheceu que a preocupação de Walter é legítima: “Mostra responsabilidade. Estamos conversando sobre um quadro que vamos entregar para Walter – que é muito melhor do que o que recebemos dos governos anteriores.”
A reunião entre Fátima e Walter poderá definir os próximos passos de um processo que tende a moldar o cenário eleitoral de 2026 no Rio Grande do Norte. A incerteza, por ora, permanece – e o futuro político do Estado continua no compasso dessa conversa decisiva.


