Em entrevista ao Blog da jornalista Renata Agostini, do O Globo, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, abordou a crescente polarização política no Brasil e os desafios que o Partido dos Trabalhadores (PT) enfrentará nas eleições de 2026, especialmente no Nordeste. À frente de um dos quatro Estados comandados pelo PT, Bezerra enfatizou a necessidade de um esforço contínuo para garantir o apoio popular à legenda e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que a adesão da região ao governo federal não está garantida e dependerá de ações estratégicas nos próximos dois anos.
De acordo com Bezerra, a gestão de Lula precisa se fazer mais presente no Nordeste, não apenas através do presidente, mas também por meio de ministros, com foco em temas como infraestrutura e segurança hídrica. A governadora destacou, ainda, a importância das inaugurações de obras como a transposição das águas do São Francisco e a conclusão de um reservatório hídrico no Estado, previstas para ocorrer em breve, como marcos que reforçam o compromisso do governo com a região.
“Não podemos baixar a guarda”, afirmou Fátima Bezerra, ao reconhecer o impacto da recente queda na aprovação do governo federal, principalmente no Nordeste, conforme pesquisa Quaest, que apontou um crescimento na desaprovação do governo. Segundo ela, a presença do governo precisa ser intensificada para que a região continue alinhada com o campo progressista, sobretudo em um momento de acirramento da polarização política.
A governadora também se mostrou otimista quanto à candidatura de Lula à reeleição, reforçando que, apesar das discussões internas sobre a renovação do PT, o foco imediato deve ser na continuidade da frente ampla, com alianças além do partido. “O campo da direita está dividido, enquanto no campo progressista, o presidente Lula é unanimidade”, disse Bezerra, destacando que, mais do que nunca, é preciso fortalecer as alianças políticas para garantir o sucesso eleitoral.
Bezerra se mostrou consciente do crescente fortalecimento da extrema-direita, especialmente com o uso das redes sociais para espalhar desinformação, e destacou a necessidade de moderar o conteúdo compartilhado nas plataformas digitais. “A eleição não será fácil. Precisamos vencer a resistência no Congresso e continuar com a regulação das redes”, afirmou, ao mesmo tempo em que alertava para os riscos da ascensão de forças políticas autoritárias no Brasil.
Por fim, a governadora abordou o impasse envolvendo a criação do Fundo da Caatinga, uma demanda do Consórcio Nordeste, e a falta de avanço no governo federal para tratar dessa questão crucial para o combate à desertificação na região. Bezerra comemorou, entretanto, a recente parceria com o BNDES para estruturar o fundo e coordenar ações de enfrentamento da seca e desertificação.