Quando o vice-governador Walter Alves (MDB) confirmou apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), para a disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, a primeira impressão no meio político foi a de que Allyson havia “virado governador de férias”. O cenário parecia amplamente favorável: o nome governista, Cadu Xavier (PT), apresentava baixa capilaridade eleitoral, enquanto a direita vivia um imbróglio que só mais tarde se resolveria com a confirmação de Álvaro Dias (PL) como candidato. Somava-se a isso o peso do MDB – partido que conta com pelo menos 45 prefeitos no estado –, conferindo musculatura política relevante à aliança anunciada.
No entanto, à medida que o calendário eleitoral avança, a realidade começa a se impor de forma menos confortável para quem apostou nessa conta inicial. Isso porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escalou o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), para conduzir as articulações e resolver os impasses do PT com partidos aliados no Nordeste. E Camilo, segundo informações de bastidores, tem assegurado à governadora Fátima Bezerra (PT) que o palanque governista no RN não perderá o MDB.
Esse movimento muda significativamente o tabuleiro e coloca em xeque a liderança de Walter Alves à frente do MDB potiguar, sobretudo diante da força política que Camilo Santana vem demonstrando no processo de articulação nacional. O ministro atua com carta branca do Planalto e já provou sua capacidade de mediação ao conseguir, por exemplo, unir Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP) em Alagoas – uma missão considerada quase impossível até pouco tempo atrás.
Nesse contexto, a equação que inicialmente parecia simples para Allyson Bezerra começa a perder consistência. A soma política que lhe dava conforto pode acabar se resumindo apenas ao apoio pessoal de Walter Alves, sem a garantia de que o MDB indicará o candidato a vice, como havia sido previamente acordado entre os dois. Se confirmado esse cenário, o que parecia uma largada antecipada rumo ao Governo do Estado pode se transformar em uma disputa bem mais complexa do que o planejado.


