As pesquisas sobre a sucessão estadual de 2026 mostram Allyson Bezerra (União Brasil) liderando com folga, consolidando-se como favorito nas intenções de voto. Ainda assim, muitos analistas políticos consideram que o quadro eleitoral do Rio Grande do Norte pode ser definido pela polarização entre governismo e bolsonarismo, independentemente da presença ou não de Allyson na disputa.
Na visão desses analistas, o segundo turno poderia ocorrer entre Rogério Marinho (PL) e o candidato governista, mais provavelmente Walter Alves (MDB), caso o PT priorize o MDB, ou Cadu Xavier (PT), apesar da baixa competitividade. Essa aposta na polarização se inspira na experiência de 2018, quando Carlos Eduardo Alves (PDT) liderava as pesquisas, mas acabou derrotado no segundo turno por Fátima Bezerra (PT), mostrando que números iniciais nem sempre se confirmam.
Ainda assim, é evidente que Allyson se beneficiaria do reagrupamento de votos no segundo turno. Contra Rogério, ele tende a receber o apoio do lulopetismo, devido à rejeição deste eleitorado ao PL. Contra Walter ou Cadu, poderia capturar votos do bolsonarismo, justamente pela rejeição do eleitor bolsonarista ao lulopetismo. Em qualquer cenário, sua liderança é difícil de ser contestada.
No entanto, o cenário da polarização continua relevante. Rogério Marinho, que venceu o Senado em 2022 superando resistências políticas e subindo em palanques nos mesmos espaços em que o governismo estadual, liderado por Fátima Bezerra, também esteve, mostra que ninguém pode ser subestimado. Do lado governista, Walter Alves se apresenta como o último nome capaz de reunir forças para competir, contando com a estrutura do MDB — que hoje controla pelo menos 45 prefeituras no estado — e com o apoio de Ezequiel Ferreira (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa.
O grande desafio para o governismo é convencer Walter a topar a disputa, já que ele herdaria o desgaste do governo Fátima Bezerra, o endividamento do Estado, incluindo o rombo de R$ 54,3 bilhões na previdência estadual, e enfrentaria o favoritismo de Allyson.
Assim, enquanto Allyson se mantém à frente nas pesquisas, o desenlace da eleição ainda depende das estratégias de polarização adotadas por governismo e bolsonarismo, e de eventuais surpresas que possam alterar o quadro até 2026.


