Depois de inúmeras tentativas frustradas e praticamente nenhum avanço na reversão da rejeição do eleitorado evangélico ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Planalto chegou a admitir, em um primeiro momento, desistir de investir esforços para melhorar essa relação. No entanto, o governo parece ter mudado de estratégia e aposta agora em uma nova frente de aproximação, desta vez liderada pela primeira-dama Janja Lula da Silva.
Nos últimos meses, Janja tem percorrido diferentes regiões do país para dialogar com mulheres evangélicas, em uma movimentação que busca reduzir a distância entre o governo e um dos segmentos mais simpáticos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesta terça-feira (30), ela esteve em Caruaru (PE), sua quinta visita desde julho, depois de já ter passado pelo Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Manaus (AM) e Ceilândia Norte (DF).
As reuniões são articuladas pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e têm como foco discutir o papel das mulheres na redução das desigualdades sociais e na defesa de políticas públicas de saúde, geração de renda e combate à pobreza menstrual. Em algumas ocasiões, Janja esteve acompanhada pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
A movimentação ocorre em meio a dados do Datafolha que revelam que 52% dos evangélicos consideram o governo Lula ruim ou péssimo. Diante disso, a dúvida que paira nos bastidores de Brasília é se a primeira-dama tem o perfil ideal para liderar essa tentativa de aproximação ou se esta será apenas mais uma investida fadada ao mesmo destino das anteriores.


