A relação entre o Poder Executivo e sua própria base de sustentação na Câmara Municipal começa a apresentar fissuras cada vez mais evidentes. Vereadores alinhados ao prefeito Souza Neto, do União Brasil, já não escondem o incômodo com a condução administrativa e, sobretudo, com a ausência de respostas às demandas encaminhadas ao Executivo.
Nos bastidores, o que antes era tratado com cautela agora ganha contornos públicos. Parlamentares relatam, ainda que de forma moderada, um crescente sentimento de frustração diante da falta de retorno a solicitações consideradas básicas, muitas delas fruto de cobranças diretas da população. A insatisfação não se limita à morosidade, mas também à ausência de posicionamento claro por parte da gestão municipal.
O problema se agrava porque são justamente esses vereadores que estão na linha de frente do contato com a população. São eles que recebem as demandas, escutam as queixas e assumem o compromisso de buscar soluções. No entanto, sem respaldo do Executivo, acabam expostos e desgastados politicamente, tendo que responder por ações que não dependem diretamente de seus mandatos.
Esse desalinhamento revela mais do que um ruído pontual. Evidencia uma falha estrutural na comunicação institucional da gestão Souza Neto. A falta de interlocução eficaz entre Executivo e Legislativo não apenas fragiliza a base governista, como compromete a eficiência da própria máquina pública, uma vez que emperra o fluxo de demandas e reduz a capacidade de resposta do poder público.
Diante desse cenário, cresce a pressão interna para que o prefeito reveja sua postura. A base aliada, que historicamente cumpre o papel de sustentação política, passa agora a cobrar algo essencial: diálogo, respeito institucional e respostas concretas. Apoiar não significa silenciar. Governar, por sua vez, exige capacidade de ouvir, articular e responder.
Se não houver uma mudança de rumo, o desgaste tende a se intensificar, com reflexos diretos na governabilidade e na percepção popular da gestão. Quando até os aliados começam a reclamar, o problema deixa de ser apenas político e passa a ser, sobretudo, administrativo.


