O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, maior unidade pública de urgência e trauma do Rio Grande do Norte, voltou a enfrentar um colapso estrutural nesta segunda-feira (13). Pela segunda vez em menos de um mês, os dois tomógrafos do hospital quebraram ao mesmo tempo, interrompendo a realização de exames de imagem essenciais para diagnóstico rápido e seguro dos pacientes.
A paralisação gerou revolta entre familiares e profissionais da saúde. Um dos casos mais graves foi o de Damião da Silva, 80 anos, que caiu de bicicleta no município de Campo Grande e foi transferido para Natal. Sem tomógrafo disponível no Walfredo, o idoso esperou quatro horas por um exame, enquanto sofria com uma fratura exposta nas costas, segundo o G1 RN.
Diante da situação, ele foi levado às pressas para o Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim, onde finalmente conseguiu fazer a tomografia. No entanto, não resistiu aos ferimentos e morreu antes de ser submetido à cirurgia, de acordo com a família.
“Walfredo Gurgel pede socorro. O descaso desse desgoverno mata… Fátima Bezerra, a culpa é sua”, desabafou Aryedna Lima, nora da vítima, nas redes sociais. Ela relatou que o idoso permaneceu por horas em uma maca, com forte dor, aguardando atendimento adequado.

Estrutura colapsando
A direção do hospital confirmou a inoperância dos dois tomógrafos, conforme o G1 RN. Um deles, com nove anos de uso, está parado à espera de peças importadas para manutenção. O outro, com 15 anos de funcionamento, chegou a ser reativado temporariamente, mas voltou a apresentar falhas no mesmo dia.
Juntos, os equipamentos realizam mais de 4 mil exames por mês, sendo fundamentais para diagnósticos de traumas, AVC, fraturas e outras emergências.
“Situação frágil”, admite diretor
O diretor do Walfredo Gurgel, Geraldo Neto, reconheceu que há uma “fragilidade na estrutura” da unidade e afirmou que a substituição dos aparelhos é urgente. O hospital aguarda a liberação de R$ 2,5 milhões do governo estadual para comprar um tomógrafo novo e mais moderno — mas não há previsão de quando o recurso será liberado.
Enquanto isso, pacientes continuam sendo transferidos para outras unidades, enfrentando atrasos críticos nos atendimentos — com consequências fatais.


