O Conjunto Fotovoltaico Assú Sol, localizado no município de Assú, entrou oficialmente em operação consolidando-se como o maior projeto solar da ENGIE no mundo. O empreendimento recebeu investimento de R$ 3,3 bilhões e foi responsável por 50% do recorde de geração solar da companhia no último mês, alcançando 1.400 megawatts (MW).
Concluído em dezembro de 2025, o projeto ocupa uma área licenciada de 2.344 hectares e conta com mais de 1,5 milhão de módulos fotovoltaicos, aproximadamente 12 mil quilômetros de cabos e 53 quilômetros de vias de acesso interno. Toda a energia produzida está sendo direcionada ao Mercado Livre de Energia, atendendo indústrias e empresas de diversos segmentos.
Segundo Guilherme Ferrari, diretor de energias renováveis e armazenamento da ENGIE Brasil, a escolha de Assú levou em consideração fatores técnicos e estratégicos, como a elevada irradiação solar da região e a infraestrutura disponível para escoamento da energia, especialmente a proximidade com pontos de conexão à rede de transmissão. De acordo com ele, essas condições reduzem a necessidade de investimentos adicionais e ampliam a segurança operacional do empreendimento.
Ferrari destacou ainda que o Rio Grande do Norte possui tradição na implantação de projetos de energia renovável e ambiente favorável para empreendimentos de grande porte, o que reforça o posicionamento do estado como polo estratégico no setor.
Desafios e cortes de geração
Apesar dos resultados positivos, o Assú Sol enfrentou desafios operacionais, principalmente na mobilização de equipamentos, equipes e materiais em larga escala. Para superar essas dificuldades, a empresa utilizou tecnologias como mapeamento aéreo com drones e motoniveladoras automatizadas integradas a modelos 3D.
No quarto trimestre de 2025, o projeto registrou cerca de 16% de cortes de geração, conhecidos como curtailment. As restrições são determinadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico com o objetivo de preservar a estabilidade do Sistema Interligado Nacional.
Entre os principais fatores apontados estão gargalos na rede de transmissão e períodos de sobreoferta de energia, quando a geração supera a demanda local e a capacidade de envio para outras regiões do país.
Novos investimentos e perspectivas
Para mitigar os impactos dos cortes, a ENGIE avalia alternativas como a implantação de sistemas de armazenamento em baterias (BESS) e a possível instalação de data centers, inclusive voltados à mineração de criptoativos, com o objetivo de ampliar a demanda local por energia.
No estado, a companhia também mantém outros dois empreendimentos renováveis: o Conjunto Fotovoltaico Floresta e o Conjunto Eólico Santo Agostinho, reforçando sua atuação estratégica no RN.
Apesar dos desafios regulatórios e estruturais, a ENGIE Brasil afirma que mantém um pipeline consistente de projetos eólicos e solares no Rio Grande do Norte, com possibilidade de hibridização entre as fontes. A estratégia visa otimizar a infraestrutura existente, ampliar a eficiência do sistema e fortalecer o estado como protagonista na transição energética brasileira.


