Um dia após manifestações em diversas capitais do país, que criticaram a PEC da Blindagem e a urgência do projeto de lei da anistia, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que o Congresso percebeu os riscos de avançar simultaneamente com pautas polêmicas. “É chegado o momento de tirarmos da frente todas essas pautas tóxicas”, afirmou Motta nesta segunda-feira (22), durante evento voltado ao mercado financeiro em São Paulo.
As manifestações de domingo foram uma resposta à tentativa do Legislativo de aprovar medidas consideradas sensíveis pela população: a PEC que protege parlamentares de processos e a urgência da anistia. O recuo da Câmara indica que a pressão popular pode ter inviabilizado a tramitação da primeira e comprometido a segunda pauta.
Motta reconheceu a dificuldade da última semana, considerada por ele “a mais difícil e desafiadora” no Legislativo, e defendeu a necessidade de priorizar temas que, segundo ele, têm impacto real na vida dos brasileiros, como reforma administrativa, imposto de renda e segurança pública. O parlamentar destacou ainda que os atos demonstram a vitalidade da democracia no país, afirmando que respeita “muito” a participação popular nas ruas.
A declaração evidencia que setores da direita e do Centrão já percebem que o avanço simultâneo dessas pautas sensíveis pode ter sido um erro político. O recuo sugere que o Congresso busca agora resgatar sua agenda de aprovações menos conflituosas, enquanto tenta evitar desgaste diante de um eleitorado cada vez mais atento e mobilizado.


