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De “mal necessário” a governo encurralado: Lula encara risco real em 2026

Presidente vê o Centrão se mover em direção a Tarcísio e redesenhar o tabuleiro eleitoral

Foto: Reprodução

Se há alguém com razões concretas para preocupação diante do cenário político que se desenha para as eleições presidenciais de 2026, esse alguém é Luiz Inácio Lula da Silva. Diferente dos seus dois primeiros mandatos, em que construiu ampla base congressual, hoje Lula governa apoiado muito mais em decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF) do que em acordos sólidos no Congresso Nacional. A judicialização passou a ser um mecanismo frequente para sustentar ações do Executivo, mas também revela a fragilidade da articulação política do Planalto. Quando o STF não socorre, as pautas emperram no Parlamento.

Os exemplos são múltiplos: medidas de ajuste fiscal e cortes de gastos – como o fim dos “supersalários” no setor público –, a regulamentação da reforma tributária, a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a taxação de apostas e de investimentos isentos, programas de crédito como o Acredita e projetos ligados à transição ecológica ou ao mercado de carbono. Mesmo ações populares enfrentam tramitação lenta, barradas pela resistência do Centrão, pelo lobby de setores econômicos ou pelas divergências internas da própria base. Esse cenário, segundo analistas de ciência política, materializa o que se chama de “presidencialismo de coalizão instável” — um arranjo em que o presidente perde poder de agenda e fica refém de aliados voláteis.

Em paralelo, o ambiente econômico não ajuda. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pelo segundo encontro consecutivo — o nível mais alto desde 2006. A justificativa oficial combina inflação acima da meta, expectativas desancoradas e um cenário internacional incerto. O mercado projeta juros elevados até o fim de 2025, com cortes apenas no início de 2026. Em termos práticos, isso significa menos espaço fiscal, menos crescimento e mais dificuldade para entregar resultados que revertam a desaprovação social.

Enquanto as pautas do governo se arrastam, temas de interesse da oposição, como a PEC das Prerrogativas e propostas de anistia a envolvidos no 8 de janeiro, ganham urgência na tramitação. O desembarque de partidos como Progressistas e União Brasil agravou a situação do governo, deixando Lula cada vez mais isolado no Congresso. Agora, até o MDB — partido historicamente central no arranjo do Centrão e hoje sob influência de Michel Temer — cogita apoio publicamente a uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas. Embora Tarcísio negue a intenção de concorrer, analistas interpretam como estratégia para ganhar tempo e escapar de movimentos que buscam inviabilizá-lo judicialmente — um déjà-vu da tática aplicada a Bolsonaro.

Do ponto de vista eleitoral, Lula ainda lidera pesquisas, mas sua aprovação cresce de forma tímida. A “lua de mel” com o eleitorado de 2022 já passou, e as entregas do governo parecem pequenas diante das expectativas criadas. A oposição bolsonarista está atordoada com a inelegibilidade e os problemas de saúde de Jair Bolsonaro, mas um nome competitivo como Tarcísio, apoiado pelo Centrão — inclusive pelo MDB de Temer — poderia alterar drasticamente o tabuleiro. Não seria mais o cenário de 2022, em que Lula era visto como “mal necessário” para conter Bolsonaro. Sem Bolsonaro no páreo, a equação política muda.

Do ponto de vista da ciência política, Lula enfrenta a combinação mais difícil para qualquer presidente no Brasil: juros altos, economia moderada, base congressual fragmentada, oposição em recomposição e um Judiciário que, embora aliado em determinados momentos, não é seguro a ponto de garantir vitórias políticas. Em 2018, ministros indicados por governos petistas não hesitaram em “lavar as mãos” em decisões que custaram a Lula 580 dias de liberdade e uma eleição presidencial. Nada garante que, diante de um cenário adverso, a história não se repita. Sem uma estratégia eficaz para recompor sua base e acelerar entregas concretas, o governo corre o risco de chegar enfraquecido a 2026, abrindo espaço para que um novo polo de centro-direita — mais pragmático que o bolsonarismo — emerja como alternativa viável ao Planalto.

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Postado por Eryx Moraes

Jornalista potiguar, nascido em 25 de março de 1985, em Felipe Guerra-RN. Ao longo da carreira, atuou em jornais impressos como O Vale do Apodi e News 360, além de rádios como FM Boas Novas, FM Liberdade (Felipe Guerra) e Rádio Rural de Mossoró. Atualmente, é chefe de redação do portal Mossoró News e chefia a Comunicação do Governo Municipal de Felipe Guerra-RN.

Detentor de amplo conhecimento acadêmico na área do Direito, Eryx também é empreendedor no ramo da perfumaria e da venda direta, unindo experiência em comunicação e gestão a habilidades empresariais.

Reconhecido pelo impacto de seu trabalho no jornalismo regional, recebeu a Cidadania Mossoroense, concedida pela Câmara Municipal de Mossoró-RN, e a Comenda Pedra e Abelha, honraria da Câmara Municipal de Felipe Guerra-RN destinada a filhos da terra que se destacam profissionalmente em outras cidades e regiões.

Com sólida experiência em política, economia, cultura e questões sociais, Eryx se destaca por sua competência, versatilidade e credibilidade, consolidando-se como referência no jornalismo potiguar e como profissional multifacetado em diferentes áreas.

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