A ornamentação da “Estação Natal” voltou a gerar questionamentos em Mossoró. Quem visita o espaço montado na Estação das Artes Elizeu Ventania percebe rapidamente que quase tudo é igual aos anos anteriores – pequenas adaptações, estruturas repetidas e reaproveitamento evidente. O que não se repete, porém, é o valor gasto pela Prefeitura.
Na edição 2025, inaugurada no último fim de semana pelo prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), o Município deve desembolsar mais de R$ 3 milhões. O montante é considerado fora da realidade e motivou o vereador Cabo Deyvison (MDB), líder da oposição, a defender a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o contrato firmado com a empresa Castro Rocha LTDA, responsável pela montagem da decoração.
Segundo revelou o jornalista Magnos Alves, no Diário do RN, e detalhou o Jornal De Fato, há uma série de pontos que demandam esclarecimento – entre eles, o valor milionário envolvido, a existência de aditivo contratual, o reaproveitamento de itens de anos anteriores e até a suposta utilização de servidores municipais para serviços que deveriam ser executados pela empresa contratada.
Outro ponto apontado pelo Jornal De Fato é a divergência entre os valores oficiais. No Diário Oficial de 5 de novembro, a Prefeitura publicou um contrato de R$ 1.755.000,00 – quase R$ 1 milhão a menos que a proposta vencedora da licitação. No Portal da Transparência, porém, já aparecem dois empenhos que totalizam R$ 2.700.000,00. Em seguida, a Castro Rocha LTDA recebeu um aditivo de R$ 302.176,48, elevando o valor final para R$ 3.002.176,48 – acima, inclusive, da proposta perdedora do processo licitatório.
“Vou me debruçar sobre o contrato juntamente com a bancada e pretendo apresentar um requerimento e, se possível, pedir uma CEI para apurar esses indícios de irregularidades.” – disse Cabo Deyvison ao Jornal De Fato.
Para instalar uma CEI, são necessários sete votos. A oposição soma apenas quatro vereadores e conta com o apoio de um independente – número insuficiente para abrir a investigação.

Histórico de denúncias reforça suspeitas
O cenário atual se soma a episódios anteriores já denunciados na Câmara. Em 2024, o então vereador Paulo Igo revelou que a Prefeitura pagou R$ 790 por jardineiras que, no comércio local, custavam apenas R$ 26,85. Os documentos foram entregues ao Ministério Público.
Paulo Igo também denunciou uma despesa de mais de R$ 262 mil apenas com eletricistas – valor considerado desproporcional, já que serviços desse tipo costumam ser realizados por servidores do próprio Município ou por terceirizados já contratados.
As despesas com a decoração natalina vêm crescendo, apesar do uso recorrente dos mesmos itens:
– 2021: R$ 1.006.998,88
– 2022: R$ 2.142.973,01
– 2023: R$ 2.308.000,00
– 2025: R$ 3.002.176,48
Como destacou o Jornal De Fato, a combinação entre material reaproveitado, custos elevados e divergências documentais explica por que a pressão por investigação vem aumentando – mesmo com a resistência numérica na Câmara.


