O Estádio Manoel Leonardo Nogueira, carinhosamente conhecido como Nogueirão, é um ícone do futebol mossoroense. Inaugurado em 1967, já foi palco de grandes jogos e recebeu até 18 mil torcedores. No entanto, desde fevereiro de 2024, o estádio está fechado por determinação judicial devido a problemas estruturais. A gestão do prefeito Allyson Bezerra, que assumiu a prefeitura em 2021, não conseguiu avançar com soluções efetivas. Prometeu reconstruir o estádio em outro local, recuou, lançou um edital de parceria público-privada, mas não houve interessados. Agora, anuncia um novo edital com ajustes, na expectativa de atrair investidores.

Enquanto isso, os clubes locais, Potiguar e Baraúnas, enfrentam dificuldades para disputar suas partidas. Sem um estádio próprio, foram obrigados a mandar seus jogos da Segunda Divisão fora da cidade. Cansados da falta de diálogo com a gestão municipal, os dirigentes procuraram a governadora Fátima Bezerra. Ela autorizou a criação de um comitê de estudo para a construção de um novo estádio, com a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) já se colocando à disposição para doar terreno. Segundo a governadora, há possibilidade de viabilizar recursos junto ao Governo Federal. A Secretaria de Infraestrutura foi incumbida de elaborar, em regime de urgência, um projeto da obra. Estima-se em R$ 40 milhões o montante necessário para construir um estádio com capacidade para 10 mil pessoas.

O anúncio da governadora Fátima Bezerra foi feito em reunião com os presidentes do Potiguar e do Baraúnas, a deputada estadual Isolda Dantas, a reitora da UERN, Cícilia Maia, e o secretário da Fazenda, Cadu Xavier. Na ocasião, ficou definido que o estádio será construído ao lado do Hospital da Mulher, em Mossoró. A governadora determinou que fosse criada uma comissão composta pela Secretaria de Infraestrutura, UERN e os clubes para elaborar o projeto, montar o orçamento e escolher a área onde será edificado o estádio.

No entanto, o contexto em que essas promessas surgem não pode ser ignorado: estamos em ano pré-eleitoral, e tanto a governadora Fátima quanto o prefeito Allyson Bezerra parecem redescobrir agora o interesse pelo futebol mossoroense. A realidade, porém, é inescapável: o esporte nunca foi prioridade, nem da gestão municipal de Allyson em Mossoró, nem do governo de Fátima no Rio Grande do Norte. Em Mossoró, o retrato mais evidente desse descaso é o Nogueirão — patrimônio histórico que continua fechado, abandonado e sem perspectiva de solução. Promessas de novas arenas, editais e projetos se acumulam, mas a ação concreta, o investimento real e o respeito ao legado do futebol local continuam ausentes.
Enfim, os desportistas mossoroenses agora têm duas promessas, mas nenhum estádio para chamar de seu.


