A crise na saúde pública do Rio Grande do Norte voltou a ganhar contornos dramáticos. Hospitais estaduais enfrentam uma situação crítica no fornecimento de alimentação devido à greve de trabalhadores terceirizados, motivada por atrasos salariais e de benefícios. Com a paralisação, unidades de referência suspenderam a distribuição de refeições para pacientes e acompanhantes, expondo mais uma vez o colapso da gestão estadual no setor.
Nesta segunda-feira (22), profissionais da saúde farão uma manifestação em frente ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, a partir das 10h, cobrando providências. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (Sindsaúde/RN), os funcionários terceirizados do maior hospital do estado estão sem receber o salário de agosto e acumulam cerca de cinco meses de auxílio-alimentação atrasados.
A consequência é imediata: parte dos serviços foi paralisada, afetando diretamente o fornecimento de refeições. “A situação é crítica para os acompanhantes de pacientes, em sua maioria vindos do interior, sem condições financeiras. Há relatos de pessoas que não comem há dois dias e de famílias que precisam dividir uma única quentinha entre três pessoas”, denuncia o sindicato.
Outros hospitais estaduais também estão sem alimentação desde meados de setembro. De acordo com o Sindsaúde, o Giselda Trigueiro e o Hospital de São José de Mipibu não servem refeições desde o dia 15; o Walfredo Gurgel suspendeu o serviço em 16 de setembro; e o Hospital Santa Catarina, no dia 18.
Enquanto pacientes e familiares sofrem com a falta de comida, a crise expõe de forma gritante o descaso e a incapacidade do governo Fátima Bezerra em garantir um direito básico: a dignidade de quem já está fragilizado pela doença.


