A governadora Fátima Bezerra (PT) deve anunciar, nas próximas horas, a decisão de permanecer no cargo até o fim do mandato, após agenda em Brasília na segunda-feira (16). Embora o posicionamento oficial ainda não tenha sido formalizado publicamente, a informação já circula com força nos bastidores políticos e é tratada como consolidada por diferentes setores da mídia potiguar.
O movimento representa uma inflexão estratégica relevante e ocorre em meio a um cenário de forte desgaste político. Com um governo marcado por dificuldades administrativas e índices de avaliação desfavoráveis, a governadora enfrenta limitações claras na capacidade de reverter a percepção negativa e de liderar com protagonismo o processo sucessório no estado.
A decisão de não disputar o Senado, ainda que não oficializada em anúncio formal até o momento, é interpretada como consequência direta desse ambiente adverso. Internamente, a leitura é de que uma candidatura majoritária neste contexto traria riscos elevados, inclusive de uma derrota com impacto duradouro sobre sua trajetória política.
Outro fator que pesa no cenário é a dificuldade de viabilizar o nome do secretário estadual Cadu Xavier (PT) como sucessor competitivo. Mesmo com o apoio do governo, a pré-candidatura não conseguiu ganhar densidade política nem adesão suficiente para se consolidar no debate estadual, evidenciando a fragilidade do projeto governista neste momento.
Nas redes sociais, Fátima destacou o encontro com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, sinalizando alinhamento com o governo federal e manutenção de canais institucionais. Nos bastidores, permanece o entendimento de que a governadora poderá ser contemplada com espaço em uma eventual composição nacional, a depender do desfecho das eleições presidenciais.
Com a provável permanência no cargo, o campo governista passa a reorganizar suas estratégias. A vereadora Samanda Alves, presidente do PT no Rio Grande do Norte, surge como alternativa em discussão para a disputa majoritária, enquanto o ex-senador Jean Paul Prates (PDT) é apontado como nome competitivo para o Senado.
Sem conseguir consolidar um sucessor forte e diante de um governo que não converteu gestão em capital político, Fátima Bezerra se aproxima da reta final de sua administração envolta em um dilema evidente: concluir o mandato com estabilidade institucional, mas sob o peso de um ciclo político marcado por desgaste e perda de protagonismo no cenário potiguar.

