Quando a governadora Fátima Bezerra (PT) se vê acuada politicamente, o roteiro se repete: ela recorre a Carlos Eduardo Alves. O movimento atual, de reaproximação com o ex-prefeito de Natal, traz um detalhe incômodo — em 2022, Fátima usou exatamente essa mesma estratégia. Convenceu Carlos, então seu maior concorrente ao Governo do RN, a abrir mão da disputa direta e concorrer ao Senado em sua chapa. Reeleita, a governadora o descartou e Carlos saiu derrotado na disputa.
Agora, a história volta a se desenhar de forma semelhante. Com a senadora Zenaide Maia (PSD) dando sinais claros de apoio ao prefeito Allyson Bezerra (UB) e afastando-se do sistema governista, Fátima tenta, mais uma vez, atrair Carlos Eduardo para seu projeto — desta vez, como “batedor de esteira” e puxador de votos na capital para viabilizar seu retorno ao Senado em 2026.

Em entrevista ao Diário do RN, o chefe do Gabinete Civil, Raimundo Alves, tratou abertamente da crise com o PSD e da estratégia do PT. Afirmou que Cadu Xavier é “o candidato de Lula” e será o nome ao Governo do RN, descartando Carlos para essa disputa. Mas, na mesma fala, admitiu que o ex-prefeito pode compor a chapa ao Senado, citando partidos aliados como MDB, PDT, PSB, PCdoB ou PV para abrigá-lo.
A ambiguidade é evidente: enquanto fecha questão em torno de Cadu no Governo, Fátima busca um nome forte na capital para a chapa ao Senado. A escolha de Carlos, no entanto, carrega riscos. Sua base não esquece o episódio de 2022 e sabe que, passado o pleito, a governadora não tem histórico de manter compromissos sólidos com ele.
Carlos Eduardo, por sua vez, aparece bem nas pesquisas para o Governo e para o Senado e já conversa com MDB de Walter Alves e outras siglas. Ele sabe que está em posição de barganha e que sua adesão, desta vez, precisa vir com garantias.


