O jornalista Cézar Santos trouxe, em sua coluna no Jornal De Fato, dados que expõem um cenário que deveria despertar a atenção do Ministério Público. Grossos, município com pouco mais de 10 mil habitantes, vive uma realidade contraditória: cofres cheios e serviços públicos em situação de extrema precariedade. Somente em 2024, a cidade recebeu R$ 63,3 milhões em royalties do petróleo e gás, uma média de R$ 5,8 milhões mensais, quantia considerada uma verdadeira fortuna para um município desse porte.
Apesar da abundância de recursos, os indicadores sociais são alarmantes. Na Educação, Grossos ocupa apenas a 115ª posição entre os 167 municípios potiguares e aparece na 3.775ª colocação no ranking nacional, conforme dados do IBGE. No saneamento básico, o quadro é ainda pior: apenas 1,28% dos domicílios possuem esgotamento sanitário adequado, índice que coloca o município entre os piores do Rio Grande do Norte.
A urbanização também revela abandono. Apenas 11,2% das residências contam com itens mínimos de infraestrutura, como calçada, pavimentação e meio-fio. O paradoxo se torna ainda mais evidente quando se observa que Grossos figura entre os 10 municípios que mais arrecadam receitas próprias em todo o estado.
Enquanto os serviços essenciais permanecem em estado crítico, milhões de reais seguem sendo destinados anualmente pela gestão municipal para festas e eventos. Os gastos têm crescido ano após ano, reforçando questionamentos sobre prioridades e sobre o destino do dinheiro público em uma cidade que poderia apresentar indicadores exemplares, mas que permanece afundada em problemas básicos ainda não solucionados.


