Em entrevista à Tribuna do Norte, o ex-senador Jean Paul Prates deu sinais claros de que pretende sair da sombra do PT e assumir protagonismo no cenário político do Rio Grande do Norte. Ao convocar PDT, MDB, PV, PCdoB, PSOL e Rede para um diálogo e articulação ampla, ele envia uma mensagem contundente: não aceitará mais imposições do partido que o afastou das decisões internas. Trata-se de um movimento ousado, que beira a liderança de uma “rebelião” dentro da esquerda potiguar, justamente em um momento em que o PT já se mostra bastante fragilizado no estado.
O cenário é delicado para os petistas: a pré-candidatura de Cadu Xavier à sucessão de Fátima Bezerra ainda carece de fortalecimento, e a própria tentativa de retorno da governadora ao Senado enfrenta riscos reais. Nesse contexto, a postura de Jean Paul evidencia não apenas insatisfação, mas também ambição de construir um projeto próprio, articulando forças externas ao PT para buscar espaço eleitoral relevante. Resta, porém, saber se esses partidos, alguns deles considerados verdadeiros satélites do PT, terão disposição para embarcar nesse movimento de ruptura.
Apesar da ousadia, a estratégia de Jean ainda apresenta limitações. Ele parece permanecer preso à bolha da esquerda, sem considerar cenários mais amplos de aliança que poderiam fortalecer sua viabilidade eleitoral. Um exemplo claro é o atual líder das pesquisas para o governo, Allyson Bezerra, que dispõe de uma vaga de senador em seu palanque, ao lado de Zenaide Maia (PSD). Ignorar essa possibilidade de alinhamento estratégico indica que Jean ainda não ampliou sua visão além do eixo tradicional da esquerda, o que pode comprometer o alcance de sua pretensa candidatura, especialmente diante da articulação do governismo potiguar, na qual ele mais uma vez é preterido em favor de Carlos Eduardo Alves.


