Leio blogs, ouço rádios e acompanho veículos diversos, sempre buscando me manter informado sobre acontecimentos que impactam a sociedade. Para quem atua na comunicação social, estar bem informado é fundamental, pois só com informação completa e plural é possível exercer um jornalismo responsável.
No entanto, ao analisar a imprensa local, salvo raras exceções, observa-se com frequência algo alarmante: há uma clara ausência de senso crítico pautado na imparcialidade e de compromisso com a coletividade. Entrevistas com o prefeito ou com a governadora, por exemplo, muitas vezes se resumem a elogios e perguntas complacentes, abordando apenas aquilo que convém às autoridades.
Programas políticos, seja no rádio, na TV ou em podcasts, transformam-se em verdadeiras confrarias, reunindo apenas aqueles que pensam igual. O contraditório é ignorado, e debates de fato não acontecem. Quando ouvintes tentam trazer perspectivas diferentes, acabam ridicularizados — isso quando não têm suas tentativas de participação simplesmente ignoradas.
O resultado é uma comunicação parcial, que massageia egos e protege interesses de grupos específicos, longe de cumprir o papel essencial do jornalismo: informar, questionar, fiscalizar e promover o bem coletivo. Sem uma imprensa livre, crítica e atuante, a sociedade perde sua capacidade de reflexão, e a democracia enfraquece.


