É por demais de domínio público que o sr. Gilberto Kassab, atual Secretário de Relações Institucionais do governo de São Paulo e Presidente do PSD, é indubitavelmente um fenômeno enquanto estrategista político-partidário no Brasil.
Ocorre que, o que Kassab tem sobrando em matéria de qualidades pessoais, falta a Tarcísio, e vice-versa.
Enquanto Kassab se mostra fortemente desprovido da tintura espessa da confiabilidade — característica inapelavelmente necessária diante do grupo fiel ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, grande esteio eleitoral e aio político do atual governador do Estado de São Paulo — Tarcísio Gomes de Freitas, a contrário senso, se destaca de forma emblemática e indelével no campo da confiabilidade, ainda munido de virtudes cartesianas no âmbito de sua competência administrativa.
Sem embargo, lamentavelmente, no que se refere à sagacidade e à ardilosidade em matéria de investigação política, Tarcísio estaria caricatamente quase como um bebê reborn diante da sutileza ladina de que é portador o seu ilustre Secretário no governo de São Paulo, contando ele, no entanto, com seu apurado senso crítico de oportunidade e com sua sensibilidade salomônica, decorrente de sua condição de vaso do derramamento da sabedoria divina.
Kassab, na verdade, só esteve — ou está — no empenho de estimular Tarcísio a deixar o governo para se candidatar à presidência da República porque ele mesmo gostaria de se colocar no lugar de Tarcísio na corrida pelo governo de São Paulo, ficando, dessa feita, em berço esplêndido como candidato a governador, com motor turbinado para ganhar a corrida antes mesmo da largada.
Nessa toada, seguramente contaria ele com o estupendo apoio de Tarcísio, hoje franco favorito à reeleição; porém, sem garantir, obviamente, fazê-lo vencer Lula no pleito para a presidência, sobretudo porque se manteria cortando dos dois lados. Seria muita inocência e estupidez de Tarcísio topar uma dessas.
Pelo andar da carruagem que temos na estrada enlameada da atual “democradura” da republiqueta petista do Xandaquistão, Lula já está reeleito e, sem medo de ser infeliz, ouso dizer que será mais fácil do que em 2022, considerando o fato de que a supremacia judicante da antiga República Federativa do Brasil se encarregará de fazer isso acontecer novamente em 2026.
Coisa diferente não dá para se depreender quanto a isso se fizermos uma mínima análise com esmero naquilo que asseverou categoricamente o próprio Ministro Gilmar Mendes, ao vaticinar publicamente que a eleição de Lula em 2022 se deveu inquestionavelmente — v. g. vídeo no YouTube — à decisão, diga-se, intervenção, do STF, o outrora admirável tribunal jurídico brasileiro, então guardião da Constituição, hoje convertido em apêndice dos diretórios dos partidos políticos da esquerda brasileira.


