in , , , ,

O peso das palavras não ditas

Um telefonema, um adeus inesperado e a dor das palavras que nunca foram ditas.

Imagem: Ilustrativa

Ela sempre acreditou que teria tempo. Tempo para dizer “eu te amo”, para pedir desculpas, para perguntar como foi o dia dele. Mas a vida não avisa quando o tempo acaba.

Mariana e o pai nunca foram de muitas palavras. Ele era um homem de gestos simples — consertava as coisas da casa, trazia frutas do mercado e deixava o café pronto antes de sair. Já Mariana, cresceu acreditando que amor se demonstrava em silêncios e olhares, mas pouco se falava. E assim os dias passaram, silenciosos, entre rotinas que pareciam eternas, mas que hoje se mostram tão frágeis.

Até que um dia ele não voltou para casa. Um telefonema, uma corrida desesperada para o hospital e a notícia que congelou o tempo: um infarto fulminante. Mariana se viu perdida entre corredores frios e palavras técnicas que não conseguiam explicar a dor da ausência. Tudo o que ela queria era mais um dia, uma chance de dizer as palavras que nunca disse, de abraçá-lo como nunca fez.

Sentada na sala vazia, o som do relógio ecoando na parede, ela segurava a caneca de café que ele usava todas as manhãs. Cada gole frio lembrava o calor que ela havia perdido. E foi ali, naquele silêncio esmagador, que Mariana entendeu que o que realmente pesa não são as palavras ditas, mas aquelas que nunca tiveram coragem de sair.

O “obrigado”, o “me desculpa”, o “eu te amo” ficaram presos para sempre, como um nó na garganta que nunca se desata. Porque no fim, o silêncio não carrega apenas ausência. Ele carrega o peso do que poderia ter sido dito, mas foi engolido pelo orgulho, pela rotina ou pela falsa certeza de que sempre haveria um amanhã.

E agora, sozinha com suas lembranças, Mariana finalmente compreende que o tempo não espera. E que a verdadeira dor não está na perda, mas nas palavras não ditas que ecoam para sempre no vazio deixado por quem partiu.


Crônicas da Vida Real
Um espaço para reflexões sobre situações que, fictícias ou não, podem ser vividas por qualquer um de nós.
Gostou da história? Compartilhe com a #CrônicasDaVidaReal e espalhe essa reflexão!

Avatar photo

Postado por Eryx Moraes

Jornalista potiguar, nascido em 25 de março de 1985, em Felipe Guerra-RN. Ao longo da carreira, atuou em jornais impressos como O Vale do Apodi e News 360, além de rádios como FM Boas Novas, FM Liberdade (Felipe Guerra) e Rádio Rural de Mossoró. Atualmente, é chefe de redação do portal Mossoró News e chefia a Comunicação do Governo Municipal de Felipe Guerra-RN.

Detentor de amplo conhecimento acadêmico na área do Direito, Eryx também é empreendedor no ramo da perfumaria e da venda direta, unindo experiência em comunicação e gestão a habilidades empresariais.

Reconhecido pelo impacto de seu trabalho no jornalismo regional, recebeu a Cidadania Mossoroense, concedida pela Câmara Municipal de Mossoró-RN, e a Comenda Pedra e Abelha, honraria da Câmara Municipal de Felipe Guerra-RN destinada a filhos da terra que se destacam profissionalmente em outras cidades e regiões.

Com sólida experiência em política, economia, cultura e questões sociais, Eryx se destaca por sua competência, versatilidade e credibilidade, consolidando-se como referência no jornalismo potiguar e como profissional multifacetado em diferentes áreas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Em ata, Copom mantém previsão de nova alta dos juros, e Selic pode chegar a 14,25% em março

A cidade que nunca dorme