A investigação conduzida pela Polícia Federal no âmbito da Operação Mederi já identificou cerca de R$ 833 mil em supostas propinas relacionadas a contratos de fornecimento de medicamentos na cidade de Mossoró. As informações foram divulgadas pelo Jornal de Fato, com base em apuração do jornalista Dinarte Assunção, do Blog do Dina.
De acordo com os dados obtidos pela reportagem, a Polícia Federal aponta que o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), e uma mulher identificada apenas como “Fátima” teriam sido destinatários de parte dos valores pagos pela empresa Dismed Distribuidora de Medicamentos, investigada por fraudes em contratos públicos na área da saúde.
A Operação Mederi foi deflagrada no dia 27 de janeiro deste ano, com ações em Mossoró e em outras seis cidades da região Oeste do Rio Grande do Norte. A investigação busca desarticular um esquema de desvio de recursos da saúde pública por meio de contratos fraudulentos para aquisição de medicamentos.
Durante a operação, foram alvos de busca e apreensão o prefeito Allyson Bezerra, o vice-prefeito Marcos Bezerra (PSD) e os secretários municipais Almir Mariano e Morgana Dantas, atual titular da Secretaria de Saúde. Sete investigados passaram a ser monitorados por tornozeleiras eletrônicas.
Segundo a Polícia Federal, a análise de saques realizados pelos sócios da Dismed em espécie indicaria um padrão financeiro compatível com o pagamento de vantagens indevidas. Os investigadores identificaram 70 saques que somam R$ 2,21 milhões, valor correspondente a cerca de 27% dos créditos recebidos pela empresa de prefeituras da região.
Em relatórios da investigação, os policiais destacam que, nas conversas captadas por escutas ambientais, foi mencionada uma divisão percentual de propinas. O material cita repasses de 25% para o prefeito e 10% para uma mulher identificada como Fátima, o que, segundo a PF, indicaria a utilização de saques em espécie para viabilizar pagamentos ilícitos.
Os dados analisados mostram ainda que Mossoró teria transferido R$ 3.332.710,27 à empresa investigada. Aplicando o percentual mencionado nas conversas, os investigadores estimam que o valor teórico de propina chegaria a R$ 833.177,57 apenas em relação ao município.
Ainda segundo a Polícia Federal, a Dismed recebeu R$ 8.152.668,82 em créditos de prefeituras da região Oeste, distribuídos em 213 transferências bancárias. Parte desses recursos teria sido sacada em espécie, o que reforçou a suspeita de repasses ilegais dentro do esquema investigado.
Prefeito nega irregularidades
O prefeito Allyson Bezerra tem negado as acusações e afirma colaborar com as investigações. Segundo ele, sua defesa pretende demonstrar a inexistência de irregularidades.
O gestor também sustenta que implantou mecanismos de transparência nas compras de medicamentos da rede municipal de saúde e afirma que solicitará o levantamento do sigilo do inquérito junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) para que o conteúdo da investigação seja tornado público.
PF aponta possível ampliação das investigações
Documentos analisados pela reportagem indicam que a Polícia Federal também identificou transferências financeiras para a Dismed realizadas por cerca de 20 municípios da região Oeste potiguar. Parte dessas cidades ainda não foi alvo da Operação Mederi.
Segundo a apuração divulgada pelo Jornal de Fato, a PF avalia abrir novas frentes de investigação para apurar eventuais negociações de propina envolvendo gestores municipais, empresários e intermediários ligados ao fornecimento de medicamentos para prefeituras da região.


