O deputado federal Rafael Mota (PSB) sofreu um revés essa semana no seu projeto de pré-candidato ao Senado. A decisão do TSE que proibiu alianças partidárias ao Senado, diferentes das alianças majoritárias ao Governo, impediu que a governadora Fátima Bezerra pudesse ter dois candidatos diferentes ao Senado no seu palanque. No caso, Carlos Eduardo e Rafael Mota. Sem o aval do TSE, resta a Rafael seguir com a candidatura solo, sem possibilidade formal de contar com tempo de TV ou fundo partidário do PT e aliados.
DESEJO DE ENTRAR NO PALANQUE PETISTA
A esperança de Rafael era que o TSE aplicasse na disputa pelo Senado o mesmo entendimento que existe quando são disputadas duas vagas ao Senado, situação em que são consideradas duas eleições diferentes, uma vez que o eleitor vota duas vezes, fazendo com que sejam possíveis alianças em torno de dois nomes postulantes. Era certo que se o TSE abrisse essa porta, Rafael faria pressão junto com o PSB para que o PT no Rio Grande do Norte acatasse as duas candidaturas num só palanque.
OS BASTIDORES DA CANDIDATURA AO SENADO
Sobre essa candidatura de Rafael Mota ao Senado há várias considerações. Inicialmente se cogitou que existisse nos bastidores um dedo do ex-ministro Rogério Marinho, num entendimento com o ex-deputado Ricardo Mota, que idealizaram a candidatura como forma de criar mais uma opção no campo das esquerdas, fazendo com que se dividissem os votos progressistas. Marinho seria o principal beneficiado, pois teria criado uma candidatura que iria morder na mesma fatia do bolo em que estava Carlos Eduardo, enquanto ele estaria sozinho no campo da direita conservadora.
ACHO QUE RAFAEL APROVEITOU O VÁCUO
Eu não faço parte dos que acreditam que essa hipótese seja verdadeira. Penso que a candidatura de Rafael Mota surgiu por conta de duas realidades. Primeiramente, por conta de uma fraca nominata a deputado federal montada pelo PSB o que inviabilizaria a pretensão de eleger dois federais, no caso Rafael e Henrique Alves. Sabendo que a eleição de federal seria difícil, Rafael migrou para a candidatura ao Senado. O segundo fator teria sido a percepção que Rafael Mota tem de um vácuo existente entre as candidaturas ao Senado, constatada pelas pesquisas que apresentam baixa intenções de votos tanto para Rogério Marinho como para Carlos Eduardo, indicando que o eleitor estaria a procura de uma nova opção.
O QUE TEM DE NOVO
A novidade mais recente sobre a candidatura de Rafael é que ele estaria se articulando para fazer um palanque do PSB com o Podemos, numa parceria com o Senador Styvenson Valentim. Dessa forma, o palanque teria Styvenson ao Governo e Rafael ao Senado. Há informações nos bastidores de que essa costura estaria bastante adiantada, faltando pouco para que fosse anunciada. De fato, se trata de uma boa sacada para os dois, órfãos de palanques. E cada um se beneficia do outro, trazendo para a composição aquilo que justamente lhe faltava. A união de Rafael e Styvenson preocuparia os adversários.
NOVIDADES DENTRO DO PODEMOS
O detalhe que pode travar essa aliança é o fato que o Podemos está em negociação avançada para integrar nacionalmente o palanque do ex-presidente Lula. Ou seja, PT e Podemos estão prestes a selar uma aliança que compromete o entendimento de Rafael e Styvenson aqui no Estado. Justamente porque nessa aliança nacional o Podemos teria uma troca de comando, inclusive nos Estados, fazendo com que a sigla se unisse ao PT também nos Estados.
ALIANÇA DEIXA STYVENSON ISOLADO
Para o senador Styvenson a notícia não poderia ser pior. Sem prazo para fazer uma nova opção partidária, certamente passaria pelo entendimento nacional a fechada da porta no RN para as pretensões de Styvenson e de Rafael. Até mesmo porque seria inconcebível que Fátima Bezerra aceitar o surgimento de um novo palanque de oposição no Estado, montado integralmente pelos partidos aliados do PT no cenário nacional. Nesse caso Styvenson não teria mais como ser candidato, com o veto nacional, fazendo naufragar a futura aliança com Rafael.
O QUE RESTA PARA RAFAEL
Voltando, para finalizar sobre a situação de Rafael Mota, caso não vingue a aliança com Styvenson lhe restará a opção de fazer voo solo para o Senado. Com pouco tempo de TV e sem poder contar mais com os votos informais dos rebeldes petistas, que a exemplo de Natália Bonavides, já pulou dentro do barco com Carlos Eduardo. Rafael nem tem como voltar atrás no projeto e refazer sua candidatura a deputado federal, considerando que a essa altura a maioria de suas bases já fecharam alianças com outros candidatos. Nem o próprio Henrique Alves aceitaria nessa altura do jogo uma reviravolta desse porte.


