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Os tanques infláveis que fazem Moscou atacar fantasmas na guerra contra a Ucrânia

Com madeira, lona e criatividade, Kiev usa iscas para drenar recursos russos.

Réplicas infláveis, como esta imitação ucraniana do obuseiro Acacia, são leves, rápidas e fáceis de instalar, mas podem ser facilmente destruídas. — Foto: Back and Alive via BBC

Na guerra moderna, até o blefe ganhou farda. A Ucrânia tem se especializado em transformar o campo de batalha em um verdadeiro parque de diversões de guerra: obuseiros infláveis, tanques de madeira e lançadores de mísseis “bidimensionais” – tudo cuidadosamente posicionado para parecer mortal… até que explode e nada sobra, porque nunca foi de verdade.

Réplicas como a imitação do obuseiro Acacia – leves, rápidas e fáceis de instalar – são um sucesso nas trincheiras. Do alto, para um drone russo ansioso, aquilo parece um obus M777, um Himars ou até um Humvee reluzente. Para quem dispara um míssil de centenas de milhares de dólares, parece alvo certeiro. Mas, quando a fumaça baixa, os ucranianos estão rindo do outro lado: “Eles atingiram meu tanque de madeira”.

Do alto, esses objetos parecem um obus M777, um lançador de mísseis Himars e um veículo Humvee usados pela Ucrânia. — Foto: Na Chasi via BBC

Voluntários como Ruslan Klimenko e Pavlo Narozhny se tornaram verdadeiros artesãos do engodo. Eles montam M777 falsos em três minutos, com custo de US$ 500 a US$ 600 (R$ 2.700 a R$ 3.200). Do outro lado, os russos respondem com drones kamikazes Lancet de US$ 35 mil (cerca de R$ 190 mil) cada. É a economia de guerra às avessas: um tanque de compensado derrubando um míssil de luxo. “Faça as contas”, provoca Narozhny.

Algumas dessas peças até ganham apelido. “Tolya”, por exemplo, já resistiu a 14 ataques de drones e segue firme – fita adesiva, parafusos e lá vai ele de volta ao front.

Para que a enganação funcione, é preciso caprichar nos detalhes: marcas de pneu, caixas de munição e até banheiros cenográficos para dar veracidade à cena. Às vezes engana até os próprios comandantes visitantes. “Quem autorizou esses M777 aqui?”, questionou um oficial ucraniano ao ver um cenário totalmente fake.

A tática funciona tão bem que virou rotina: dispara-se o armamento real, retira-se às pressas, substitui-se por uma isca. O inimigo gasta munição, tempo e nervos – e, no fim, só destrói ar, madeira e borracha.

Na guerra Rússia-Ucrânia, nem tudo é o que parece. E, pelo visto, a Ucrânia descobriu que, às vezes, um bom tanque inflável vale mais do que ouro – ou do que um drone kamikaze de 35 mil dólares.

Os obuseiros M777 falsos são particularmente populares entre as tropas ucranianas — Foto: Apate via BBC

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Postado por Eryx Moraes

Jornalista potiguar, nascido em 25 de março de 1985, em Felipe Guerra-RN. Ao longo da carreira, atuou em jornais impressos como O Vale do Apodi e News 360, além de rádios como FM Boas Novas, FM Liberdade (Felipe Guerra) e Rádio Rural de Mossoró. Atualmente, é chefe de redação do portal Mossoró News e chefia a Comunicação do Governo Municipal de Felipe Guerra-RN.

Detentor de amplo conhecimento acadêmico na área do Direito, Eryx também é empreendedor no ramo da perfumaria e da venda direta, unindo experiência em comunicação e gestão a habilidades empresariais.

Reconhecido pelo impacto de seu trabalho no jornalismo regional, recebeu a Cidadania Mossoroense, concedida pela Câmara Municipal de Mossoró-RN, e a Comenda Pedra e Abelha, honraria da Câmara Municipal de Felipe Guerra-RN destinada a filhos da terra que se destacam profissionalmente em outras cidades e regiões.

Com sólida experiência em política, economia, cultura e questões sociais, Eryx se destaca por sua competência, versatilidade e credibilidade, consolidando-se como referência no jornalismo potiguar e como profissional multifacetado em diferentes áreas.

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