in

Para especialistas, proposta de Lula de “abrasileirar” combustíveis oferece riscos

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar, nesta terça-feira (22) a política de preços da Petrobras e a defender o “abrasileiramento” do preço dos combustíveis, ou seja, uma formação em reais para os preços praticados nos derivados de petróleo no mercado interno.

Estímulo à atração de mais concorrentes, frente a um virtual monopólio da Petrobras, e também experiências de controle de preços da estatal no passado, que valeram anos de prejuízo à companhia, estão entre os fatores defendidos por economistas ouvidos pela CNN Brasil para que os combustíveis comercializados no Brasil continuem acompanhando os preços do mercado internacional.

A chamada política de paridade de preços da Petrobras, porém, é fortemente apoiada por economistas e especialistas do setor de energia. Adotada desde 2016, a política repassa integralmente a cotação do dólar e do barril do petróleo no exterior para derivados vendidos no Brasil, como gasolina, diesel ou gás de cozinha.

Muitos argumentam, também, que preços controlados podem levar à falta de combustíveis e outros derivados no país, com a possibilidade de outros fornecedores deixarem o país e a Petrobras não dar conta de abastecer tudo sozinha.

“Não temos como pensar que o governo possa intervir. O preço tem que representar o custo, o custo de oportunidade, as margens e os tributos. Qualquer coisa fora disto é distorcida e faz mal para a economia”, disse Luiz Augusto Horta Nogueira, ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

“Quando a ex-presidente Dilma Rousseff interveio nos preços, usinas de álcool fecharam porque ficou impossível a competição. O Brasil comprava gasolina por um valor e vendia abaixo dele. O Brasil é um exportador, o que precisamos é ampliar a produção local”, acrescentou.

Custo para a Petrobras

A economista Juliana Inhasz, professora do Insper, avalia que a ideia de descolar os preços internos da realidade internacional já foi levantada outras vezes, e por outros políticos também, e envolveria a Petrobras absorver custos excessivos pela alta de preço do petróleo, sem o repasse nos preços dos combustíveis.

“Ela estaria subsidiando petróleo, combustíveis, para quem mais consome, e quem mais consome hoje são as classes mais altas. Os mais pobres são afetados pelos combustíveis mas indiretamente, por outros preços que sobem”, diz.

Cenário diferente

O economista Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, explica que mesmo que um eventual novo governo petista quisesse replicar o congelamento de preços da Petrobras praticado nas gestões de Dilma Rousseff (2011-2016), o efeito não seria mais o mesmo. As reduções não chegariam ao país inteiro, com riscos de desabastecimento.

Isto porque, de lá para cá, a Petrobras já diminuiu de tamanho, com algumas refinarias vendidas à iniciativa privada e também a abertura do mercado para importadoras de combustíveis que hoje complementam a demanda.

CNN Brasil

Avatar photo

Postado por MOSSORÓ NEWS

Somos um veículo de comunicação conservador que tem como essência a prática de um jornalismo independente, ético e comprometido com a verdade. Nosso trabalho une informação precisa e relevante à análise crítica e à opinião responsável sempre que necessário, pois acreditamos que o jornalismo não deve ser neutro diante da realidade. Defendemos valores que sustentam a sociedade — como família, tradição, liberdade e ordem — e entendemos que imparcialidade significa fidelidade aos fatos, sem submissão a narrativas impostas. Ao mesmo tempo, buscamos dar voz aos cidadãos comuns, muitas vezes silenciados pela grande mídia, ouvindo diferentes pontos de vista e priorizando pautas de real interesse público. Nosso compromisso é oferecer conteúdo que forme leitores mais conscientes, engajados e comprometidos com a verdade. Valorizamos também a experiência de quem nos acompanha, disponibilizando uma plataforma clara, acessível e interativa, que estreita a relação com o público e fortalece a confiança no nosso trabalho. Em resumo, somos um jornalismo conservador, crítico e com opinião sempre que necessário, sustentado pela transparência e pela defesa inegociável da verdade como base para fortalecer a democracia, a cidadania e o progresso da sociedade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rússia não descarta uso de arsenal nuclear

Polícia cumpre mandados de prisão para desmontar esquema no RN e outros estados