Neste domingo, 6 de julho de 2025, o Partido dos Trabalhadores (PT) promoveu, em todo o país, mais uma edição do seu Processo de Eleições Diretas (PED) — uma prática interna democrática adotada pelo partido desde os anos 2000, que permite aos próprios filiados escolherem seus dirigentes municipais por meio do voto direto e secreto.
Em algumas cidades, o clima foi de intensa disputa, com episódios de tensão e até tumulto, como ocorreu em São Gonçalo do Amarante e em Felipe Guerra, no Rio Grande do Norte. Em São Gonçalo, após uma disputa acirrada, quem saiu vitorioso foi Helomar. Já em Felipe Guerra, o atual presidente municipal do PT, Adailton Alves, foi reeleito ao vencer o suplente de vereador Lidiano Nóbrega por uma diferença de apenas 11 votos. Dos 106 filiados aptos a votar no município, 89 compareceram às urnas, o que representa um expressivo índice de participação: 83,96%.
Mesmo com alguns confrontos pontuais, o que se viu foi o exercício legítimo da democracia interna — algo raro no cenário partidário brasileiro. Em tempos em que diversos partidos funcionam como verdadeiros “clubes privados”, onde decisões são tomadas por interesses pessoais, comandos são repassados como herança entre lideranças, e comissões provisórias são montadas sem nenhuma consulta à base, o PT continua sendo uma das poucas siglas que, com todos os seus desafios, mantém viva a prática da participação política nas suas instâncias locais.
A experiência do PED pode não ser perfeita, mas reafirma um princípio fundamental: mais vale uma eleição interna tumultuada e participativa do que decisões unilaterais que silenciam as bases. A democracia é barulhenta, dá trabalho, mas é o único caminho legítimo para construir representatividade verdadeira.


