A tradicional procissão de Nossa Senhora dos Aflitos, padroeira de Jardim de Piranhas, no Seridó potiguar, realizada no domingo (21), reuniu autoridades, fiéis e lideranças locais. Entre elas estavam a governadora Fátima Bezerra (PT) e a senadora Zenaide Maia (PSD), natural do município. As duas, no entanto, evitaram qualquer aproximação pública. O distanciamento simboliza mais um capítulo do rompimento político que, embora não tenha sido oficializado, já se consolidou na prática.
Os caminhos de Fátima e Zenaide para 2026 apontam em direções opostas. Ambas pretendem disputar as vagas ao Senado, hoje lideradas nas pesquisas por Styvenson Valentim (PSDB). Ciente da dificuldade de reeleição no mesmo palanque da governadora, Zenaide optou por se afastar do núcleo petista no RN, mesmo permanecendo vice-líder do governo Lula no Senado.
Esse reposicionamento começou nas eleições municipais de 2024, quando a senadora apoiou adversários do PT em cidades-chave. O caso mais emblemático ocorreu em Mossoró: Zenaide pediu votos para a reeleição do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) e, desde então, construiu com ele uma aliança que inclui agendas semanais e inaugurações de pequenas obras, convertidas em palanque político. O prefeito, por sua vez, já lançou publicamente o nome da senadora para reeleição e tem sinalizado que poderá disputar o governo do estado.
Outro ponto de desgaste foi São Gonçalo do Amarante, onde Jaime Calado (PSD), marido de Zenaide, derrotou o candidato apoiado por Fátima. Ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, Calado representava a linha de frente do governo, mas a disputa municipal acentuou o afastamento do casal do núcleo petista.
A trajetória de Zenaide revela pragmatismo: eleita deputada federal em 2014 no palanque de Henrique Alves (PR), depois senadora em 2018 na chapa do PT, ela tem mudado de campo conforme o cenário político. Agora, ainda vice-líder do governo no Senado, volta a se aproximar de nomes de perfil conservador, como Allyson Bezerra. O movimento indica uma estratégia clara: garantir espaço competitivo em 2026 mesmo que isso signifique romper antigas alianças.


