Entre promessas e fantasias, a governadora Fátima Bezerra voltou a Mossoró neste início de outubro de 2025 para anunciar, mais uma vez, a “retomada iminente” dos voos comerciais no Aeroporto Dix-sept Rosado. Em visita técnica às obras de modernização do terminal, Fátima destacou que os trabalhos estão 90% concluídos e que a operação deve ser retomada no primeiro trimestre de 2026. O investimento total soma R$ 70 milhões em recursos federais, aplicados em duas fases: R$ 20 milhões já investidos na reconstrução da pista e outros R$ 50 milhões atualmente em execução para ampliação e modernização do terminal de passageiros.
O discurso, no entanto, contrasta com o histórico recente: em 2024, Mossoró perdeu seu último voo comercial, operado por um turboélice ATR da Azul, após sucessivos aumentos de custos e ajustes de frota. Naquele momento, a imprensa noticiou — com base em informações de fontes palacianas, após reunião da governadora com o CEO da companhia, John Rodgerson — que a suspensão seria temporária. Quase dois anos depois, a promessa não se confirmou. Ou seja, se não foi possível manter um voo regional em operação, soa no mínimo ousado projetar, agora, a chegada de aeronaves de médio e grande porte.

Na recente coletiva, representantes da Infraero detalharam avanços técnicos como o balizamento noturno e a instalação do sistema PAPI, que permitem pousos mais seguros. O governo fala em negociações avançadas com companhias aéreas, mas não revela quais, nem confirma se haverá de fato interesse comercial em rotas ligando Mossoró a capitais do Nordeste.
As obras são inegavelmente relevantes para a infraestrutura potiguar e poderão transformar o aeroporto em polo logístico e turístico. Mas entre a propaganda oficial e a realidade do mercado aéreo, permanece uma lacuna considerável: a de convencer as empresas de que Mossoró tem demanda suficiente para sustentar os voos prometidos.


