in

Rússia criminaliza cobertura da guerra na Ucrânia e bane BBC, Twitter e Facebook

FOTO: ALEXEY NIKOLSKY / SPUTNIK / AFP

O Parlamento da Rússia aprovou nesta sexta-feira, 04, leis que punem a publicação de ‘informações falsas sobre as Forças Armadas russas’, em um movimento que, na prática, criminaliza a cobertura da guerra da Ucrânia na imprensa e em redes sociais. A lei entra em vigor no sábado e torna um crime chamar a guerra de guerra em vez de “operação militar especial”. A pena vai de 1 a 15 anos de prisão.

Como consequência do projeto de lei,  o serviço da BBC em Moscou e o jornal Novaya Gazeta – do ganhador do Nobel Dmitri Muratov – e o canal alemão Deutsche Welle foram bloqueados pelo órgão de vigilância de comunicações da Rússia. O mesmo ocorreu com o Facebook e o Twitter.

Vyacheslav Volodin, presidente da Câmara e aliado de Putin, disse que os mentirosos e os que desacreditaram nossas forças armadas sofrerão punições muito duras. Ainda não está claro qual será o tratamento dado a jornalistas que trabalham como correspondentes dentro da Rússia, mas pelo menos um deputado disse que deveriam responder à mesma lei.

O texto do decreto é vago e oferece poucos detalhes do que pode constituir uma infração. A lei também criminaliza a divulgação de informações falsas, em um movimento que deve mirar opositores de Putin.

Censura à imprensa

“O acesso foi restrito a uma série de fontes de informação estrangeiras”, disse o órgão de vigilância, conhecido como Roskomnadzor, em comunicado, segundo a Reuters. “O motivo para restringir o acesso a essas fontes de informação no território da Federação Russa foi a circulação deliberada e sistemática de materiais contendo informações falsas.”

Em relação ao Facebook, o Roskomnadzor acusou a plataforma de restringir o acesso à mídia russa. O comunicado informa que 26 casos de discriminação contra a imprensa do país foram identificados desde outubro de 2020. O Facebook ainda não se pronunciou.

Já a BBC disse em resposta que “o acesso a informações precisas e independentes é um direito humano fundamental” e que milhões de russos confiam nas notícias do canal.

No início desta semana, a emissora inglesa disse que a audiência do site de notícias em russo da BBC mais do que triplicou sua média semanal no ano e que sua página ao vivo em russo para cobertura da invasão foi o site mais visitado em todo o serviço mundial da BBC fora da língua inglesa, com 5,3 milhões de visualizações.

“Muitas vezes se diz que a verdade é a primeira vítima da guerra. Em um conflito em que a desinformação e a propaganda são abundantes, há uma clara necessidade de notícias factuais e independentes nas quais as pessoas possam confiar”, disse o diretor-geral da BBC, Tim Davie, em comunicado na quinta-feira. “Continuaremos dando ao povo russo acesso à verdade, da maneira que pudermos.”

Peter Limbourg, diretor geral da Deutsche Welle da Alemanha, emitiu uma carta pública nesta sexta-feira para o público russo. “A situação do jornalismo livre no país de vocês se torna mais difícil a cada dia”, disse ele. “A programação russa da DW tem uma longa tradição. Sempre procuramos retratar uma imagem completa da Rússia”. Limbourg chamou as pessoas na Rússia a “usar ferramentas de desvio de bloqueio de internet para acessar os canais”.

A União Europeia baniu esta semana os meios de comunicação estatais russos RT e Sputnik. O YouTube, TikTok e a empresa-mãe do Facebook, Meta, também bloquearam o acesso ao conteúdo RT em suas plataformas na Europa. A produtora por trás da RT America disse nesta semana que também fechará a loja e demitirá funcionários, sinalizando um possível fim do meio de comunicação financiado pelo Kremlin voltado para o público dos EUA.

Estadão Conteúdo com informações da EFE, REUTERS e WASHINGTON POST

Avatar photo

Postado por MOSSORÓ NEWS

Somos um veículo de comunicação conservador que tem como essência a prática de um jornalismo independente, ético e comprometido com a verdade. Nosso trabalho une informação precisa e relevante à análise crítica e à opinião responsável sempre que necessário, pois acreditamos que o jornalismo não deve ser neutro diante da realidade. Defendemos valores que sustentam a sociedade — como família, tradição, liberdade e ordem — e entendemos que imparcialidade significa fidelidade aos fatos, sem submissão a narrativas impostas. Ao mesmo tempo, buscamos dar voz aos cidadãos comuns, muitas vezes silenciados pela grande mídia, ouvindo diferentes pontos de vista e priorizando pautas de real interesse público. Nosso compromisso é oferecer conteúdo que forme leitores mais conscientes, engajados e comprometidos com a verdade. Valorizamos também a experiência de quem nos acompanha, disponibilizando uma plataforma clara, acessível e interativa, que estreita a relação com o público e fortalece a confiança no nosso trabalho. Em resumo, somos um jornalismo conservador, crítico e com opinião sempre que necessário, sustentado pela transparência e pela defesa inegociável da verdade como base para fortalecer a democracia, a cidadania e o progresso da sociedade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sergio Moro diz que lamenta e repudia falas de Arthur do Val, o ‘Mamãe Falei’, sobre mulheres ucranianas

Potiguar Ítalo Ferreira é classificado em circuito mundial de surf que acontece em Portugal