Jean Paul Prates deixou o PT após 12 anos e desembarca no PDT apresentando a mudança como recomeço. Mas sua saída da sigla em que perdeu espaço, especialmente depois da demissão da Petrobras – decisão do mesmo Lula que o alçou ao comando da estatal – revela menos ruptura e mais exaustão de um ciclo político que se fechou para ele. A cordialidade na carta de desfiliação não esconde que o protagonismo no PT já não lhe pertencia.
No PDT, Jean tenta transformar deslocamento em estratégia. A nova sigla, porém, enfrenta dilemas semelhantes aos do PT potiguar – fragilidade eleitoral, dificuldade de renovação e pouca tração popular. Sua escolha não expressa novo projeto, mas tentativa de reposicionamento em um terreno apenas lateralmente diferente. É trocar seis por meia dúzia num momento que exigiria um salto, não um passo para o lado.
A trajetória de Jean confirma esse padrão: suplência convertida em mandato, derrota em Natal, ascensão breve na Petrobras, queda ruidosa e nova busca por espaço. Há movimento, mas pouca reinvenção. Ao deixar o PT, fez porque já não cabia nele. Ao entrar no PDT, aposta que caberá. Em 2026, veremos se essa aposta lhe devolve relevância ou apenas prolonga a sensação de que continua no mesmo lugar.


