Uma das maiores traições políticas das eleições de 2022 no Rio Grande do Norte teve como protagonista – ou melhor, como vítima – o então senador Jean Paul Prates (PT). Ele cumpriu seu dever de casa: visitou municípios, reforçou a base petista, se articulou para buscar a reeleição ao Senado. No entanto, acabou feito de “escada” pelo próprio partido. Ao final das negociações, o PT entregou sua vaga numa bandeja a Carlos Eduardo Alves (PDT), aposta que naufragou diante da incapacidade de barrar a candidatura de Rafael Motta (PSB). O resultado desse cálculo equivocado foi a divisão do eleitorado progressista e a vitória de Rogério Marinho (PL) ao Senado.
Esse não foi o único episódio de desgaste de Jean Paul dentro do PT. Mais tarde, mesmo após exibir lealdade incontestável a Lula, Fátima e ao partido, ele foi retirado da presidência da Petrobras pelo próprio governo petista – um sinal de que, para os caciques, sua competência técnica e política não têm peso suficiente frente às composições de poder.
Agora, às vésperas de novas eleições, Jean Paul dá sinais de que aprendeu a dura lição. Pretende disputar novamente o Senado e cogita uma movimentação ousada: compor com Zenaide Maia e com o prefeito Allyson Bezerra, abrindo um novo flanco político no RN. O ex-senador – reconhecidamente acima da média nos quadros petistas – possui uma visão técnica e estratégica que, diga-se de passagem, pouco combina com o projeto engessado e retroativo do PT para o RN e o país. Essa incompatibilidade talvez explique por que ele tem sido preterido dentro da sigla.
Se confirmada essa reconfiguração, Jean Paul pode finalmente dar o troco ao partido que, ao longo do tempo, demonstrou tratá-lo como peça descartável no seu xadrez eleitoral.


