Com base em informações publicadas pelo Jornal de Fato, a Operação Mederi, deflagrada no dia 27 de janeiro de 2026, colocou sob investigação a gestão municipal de Mossoró. Naquela manhã, agentes da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da República cumpriram mandados na residência do prefeito Allyson Bezerra, no condomínio Ninho, zona leste da cidade.
A operação foi autorizada pelo desembargador Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, e apura um suposto esquema de desvio de recursos da saúde pública municipal por meio de contratos fraudulentos e possível não entrega de medicamentos adquiridos pela Prefeitura de Mossoró. Conforme noticiado pelo Jornal de Fato, a ação também alcançou as prefeituras de Paraú, Serra do Mel, Tibau, José da Penha e São Miguel.
O que se sabe até agora, segundo o Jornal de Fato
De acordo com a cobertura do Jornal de Fato, baseada em informações da própria Polícia Federal, os principais pontos da investigação incluem:
1. Estrutura empresarial investigada
A PF sustenta que teria sido montada uma organização criminosa para desviar recursos da saúde por meio de contratos com a DisMed Distribuidora de Medicamentos e a Drogaria Mais Saúde, cujos sócios investigados são Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares.
2. A chamada “Matemática de Mossoró”
Interceptações analisadas pela Polícia Federal indicariam a existência de um modelo de divisão de valores ilícitos. Segundo os diálogos citados na decisão judicial, 15% seriam destinados ao prefeito e 10% a uma pessoa identificada como “Fátima”. A defesa do gestor nega as acusações.
3. Citação ao vice-prefeito
O vice-prefeito Marcos Bezerra também aparece mencionado nos autos. Conforme a investigação divulgada pelo Jornal de Fato, parte dos recursos teria como finalidade campanhas eleitorais futuras. Ele nega qualquer irregularidade.
4. Papel de ex-secretário
Almir Mariano, ex-secretário de Saúde e atual secretário de Programas e Projetos, é apontado pela PF como responsável por garantir condições administrativas para o funcionamento do esquema. Em sua residência, foram apreendidos R$ 57.500,00 em espécie.
5. Atuação na Secretaria de Saúde
A atual secretária Morgana Dantas é citada como integrante de nível intermediário na estrutura investigada, com suposta função de viabilizar trâmites institucionais.
6. Conta bancária em nome de menor
Segundo a reportagem do Jornal de Fato, a PF identificou o uso de uma conta em nome de uma estudante menor de idade, filha de um dos empresários investigados, que teria recebido R$ 427 mil entre julho de 2022 e junho de 2023.
7. Movimentação financeira
A investigação aponta que o grupo teria movimentado cerca de R$ 13,5 milhões em contratos pagos pela Prefeitura de Mossoró, com suspeita de repasses ilícitos.
8. Estimativa de propina
Considerando os percentuais mencionados e o volume contratado entre 2022 e 2025, a PF estima que o prefeito poderia ter recebido mais de R$ 2,2 milhões. A defesa classifica os cálculos como especulativos.
9. Compra de medicamentos para hipertensão
Um dos pontos destacados é a aquisição de aproximadamente 8 milhões de comprimidos para tratamento de hipertensão apenas no exercício de 2025.
10. Transferências a servidoras
Duas servidoras públicas teriam recebido mais de meio milhão de reais da empresa investigada. A Polícia Federal aponta ligação com o gabinete do prefeito, enquanto a defesa nega qualquer vínculo irregular.
Investigação em curso
Ainda conforme o Jornal de Fato, o caso segue em andamento, com análise de dados extraídos de celulares, computadores e mídias apreendidas. O prefeito Allyson Bezerra nega envolvimento, afirma ser alvo de perseguição política e sustenta que provará sua inocência no decorrer do processo.
Um mês após a deflagração da Operação Mederi, o cenário permanece aberto, com desdobramentos que devem impactar não apenas a administração municipal, mas também o ambiente político do Rio Grande do Norte.


