Com a sucessão estadual de 2026 se desenhando favorável à oposição, o governismo começa a perceber que o nome do vice-governador Walter Alves (MDB) pode ser sua última esperança para evitar que a disputa seja dominada por Allyson Bezerra (União Brasil) e Rogério Marinho (PL). Para isso, o PT precisaria abrir mão de priorizar seu próprio candidato, Cadu Xavier, e apoiar o MDB, que hoje detém pelo menos 45 prefeituras no estado, contra apenas 7 do PT.
Os números das pesquisas recentes reforçam o desafio. Em cenários estimulados, Walter Alves chega no máximo a 14%, enquanto Cadu Xavier mal supera os 10%, evidenciando que, mesmo com o apoio do PT, o candidato governista ainda não consegue se tornar competitivo. É neste contexto que Walter surge como uma opção capaz de concentrar o apoio do campo governista, aproveitando não só a força do MDB, mas também o respaldo político de Ezequiel Ferreira (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, parceiro estratégico fundamental para ampliar alianças.
No entanto, o cenário não é simples. Walter sabe que herdaria o desgaste do governo Fátima Bezerra, enfrentaria o favoritismo de Allyson Bezerra e assumiria o comando de um estado com desafios estruturais significativos, incluindo um rombo de R$ 54,3 bilhões apenas na previdência estadual. Por isso, a decisão de entrar na disputa envolve alto risco político e administrativo, e não se sabe se o vice-governador topará a parada.
O governismo, portanto, está diante de um dilema: apostar em Walter Alves como a última cartada para manter alguma competitividade ou insistir em um candidato com pouca penetração eleitoral e correr o risco de ver o PT ficar à margem da disputa.


