A decisão do Governo Federal que extinguiu a obrigatoriedade dos cursos de formação em autoescolas para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) já provoca forte reação no setor. No Rio Grande do Norte, empresários classificam a medida aprovada pelo Contran como “uma nova pandemia” para os Centros de Formação de Condutores (CFCs), que registram queda de até 80% na procura desde que a mudança começou a ser debatida em julho.
No Estado, o cenário é considerado devastador. Segundo o presidente do SindCFC-RN, Eduardo Domingo, em entrevista à Jovem Pan News Natal nesta terça-feira (2), apenas cerca de 30 das 120 autoescolas devem resistir à nova regra. Ele afirma que a categoria perdeu alunos, faturamento e previsibilidade, e que a resolução deixou as empresas “à deriva”. Com média de dez empregados por unidade, o setor estima que cerca de 1.200 empregos diretos estão em risco – quase 950 demissões são dadas como certas caso a norma seja mantida.
O impacto deve atingir também toda a cadeia ligada à formação de motoristas: despachantes, clínicas, psicólogos, oficinas, fornecedores e empresas terceirizadas responsáveis pelos exames práticos. Para o sindicato, a justificativa de reduzir custos não se sustenta, já que a CNH funciona como porta de entrada para o mercado de trabalho. “Dois ou três meses trabalhando com aplicativo e o investimento se paga”, argumenta Eduardo.
Outro ponto de preocupação é a estrutura pública. Hoje, mesmo quem conclui as aulas enfrenta espera de meses para realizar os exames no Detran. Com a liberação de candidatos fora das autoescolas, a previsão é de que a demanda triplique, sem capacidade de absorção. “Não tem como comportar esse volume”, alerta o dirigente.


