Hoje, 11 de setembro, sexta-feira, Apodi prepara-se para o arrastão convocado pelo prefeito Sabino Neto, com concentração marcada para às 19h, saída pela Rua Adrião Bezerra e destino final na Praça Robson Lopes. Mais do que um encontro de festa e música, o evento torna-se o palco visível de uma disputa silenciosa que já percorre há meses as ruas, as casas e as conversas do município. O coração do povo bacurau bate dividido — e a rua, sempre o termômetro mais fiel da política local, desta vez vai medir muito mais do que adesão a um convite: vai medir quem, de fato, comanda a alma da cidade.
Dois líderes, dois ritmos, um mesmo partido. De um lado, Sabino Neto, que ocupa hoje o comando da prefeitura e convoca, mobiliza, pede presença. O movimento também serve como demonstração de força e apoio à chapa que ele endossa: Allyson Bezerra para o Governo do Estado, João Maia para a Câmara Federal, Neilton Diógenes para a Assembleia Legislativa e Zenaide Maia para o Senado. De outro, o ex-prefeito Alan Silveira, cuja ausência de endosso ao evento fala mais alto do que qualquer discurso — e cuja marca na história bacurau continua viva, forte e presente na memória de quem viu a cidade crescer a um ritmo diferente.
O eleitor apodiense acorda hoje com a cabeça e o coração em campos distintos. Há quem sinta o peso da memória dos tempos de Alan: a energia, a velocidade, a presença constante que marcaram uma gestão ainda hoje referência. Mas há também quem não possa ignorar que a caneta que nomeia, que contrata, que abre e fecha portas de emprego, está hoje na mão de Sabino Neto. E nessa tensão entre o sentimento e a necessidade, é o cidadão comum quem carrega o peso da divisão.
Sabino Neto precisa desta mobilização. Não é só festa, não é só música. É prova de força. É a tentativa de demonstrar que assumiu o comando, que é ele quem conduz o destino bacurau agora, que o povo segue — e que a sua base também responde à linha de candidatos que ele escolheu apoiar. Mas a pergunta que circula em voz baixa é: o povo vai por vontade própria, ou vai porque sente que não tem outra escolha? Vai com o coração, ou vai com o olho no contracheque? E, acima de tudo: vai por Sabino, ou vai sem saber exatamente por quem está sendo chamado?

Alan Silveira, por sua vez, mantém o silêncio que pesa. Sem precisar dizer uma palavra, sua ausência já diz tudo. E o eleitor bacurau, que sempre foi leal à família Silveira, se vê diante de uma escolha que não deveria existir: sair para o chamado do prefeito atual sem o aval do líder que construiu a base, ou ficar em casa e arcar com o custo político de uma ausência que pode ser cobrada depois.
A concentração na Rua Adrião Bezerra e o percurso até a Praça Robson Lopes vão contar uma história que nenhuma pesquisa consegue antecipar. Vai mostrar se a liderança se impõe apenas por cargo, ou se ela se mantém por vínculo, por confiança, por aquilo que o povo sente e não explica. É a queda de braço silenciosa que se materializa nos passos de cada cidadão bacurau que sai de casa hoje sem saber exatamente para quem está respondendo — e sem saber se, ao apoiar a chapa de Sabino Neto, está também rompendo com um passado que ainda não se apagou.
A música vai tocar, o arrastão vai seguir. Mas uma certeza já se estabeleceu: a divisão dentro do MDB apodiense não é mais apenas política — chegou à porta de cada morador, ao ponto de cada um ter que escolher, calado, entre o passado que ainda pesa e o presente que exige obediência. Quem vencerá essa disputa? A rua responde. E o povo bacurau, que sempre foi o protagonista desta história, hoje é também quem mais sente o preço de tudo isso.
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