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A queda de braço silenciosa de Sabino e Alan em Apodi: a disputa pelo comando do poder e a alma do eleitorado situacionista

Nenhum dos dois declarou rompimento. Nenhum dos dois fez crítica pública. Não há pronunciamentos inflamados, nem cartas abertas, nem discursos de divisão. Mas nas estradas, nas comunidades, nas ruas e nas conversas nas praças de Apodi, uma disputa silenciosa e intensa acontece a cada dia. O prefeito Sabino Neto e o ex-prefeito Alan Silveira, ambos do MDB, ambos parte da mesma base histórica, percorrem o município cada um com sua comitiva, cada um com sua mensagem, cada um disputando voto a voto o eleitorado que sempre foi considerado um bloco único: o chamado bacurau — a base fiel, enraizada, que vota por história, por pertencimento e por confiança construída ao longo de décadas. E ninguém quer soltar essa identidade.

A convergência de fachada e a divisão real

À primeira vista, tudo parece igual. Ambos apoiam a mesma candidatura ao Governo do Estado: Allyson Bezerra. Nominalmente, ambos também caminham com a senadora Zenaide Maia para o Senado. A fachada de unidade se mantém no topo. Mas basta descer aos cargos proporcionais para ver que cada um montou seu próprio palanque, com nomes completamente diferentes, e que cada um está trabalhando para fortalecer sua própria influência sobre o eleitorado.

Sabino Neto indica e caminha com Styvenson Valentim para o Senado, João Maia para deputado federal e Neilton Diógenes para deputado estadual. Já Alan Silveira, por seu turno, apoia o Coronel Hélio para o Senado — a quem tem dado ênfase especial, a ponto de destacá-lo acima da própria Zenaide Maia —, Dr. Bernardo Amorim para a Câmara Federal e Walter Alves para a Assembleia Legislativa.

A divisão não é casual. É estratégica. Cada lista representa um projeto de poder diferente. Cada nome indicado é também uma forma de dizer ao eleitor: sou eu quem dita os rumos do nosso grupo. E o silêncio entre os dois líderes não significa união — significa que ambos ainda calculam os custos de um rompimento declarado, enquanto disputam, sem alarde, quem é a verdadeira referência do situacionismo apodiense.

E tudo isso, para quem acompanha a cena política de Apodi, revela algo ainda maior: trata-se de um ensaio. Um ensaio já com vistas a 2028, às próximas eleições municipais. O que se desenrola agora é, antes de tudo, a definição de quem estará à frente do grupo quando a sucessão municipal voltar a ser decidida. Cada voto conquistado hoje é também um ponto acumulado de olho no futuro. Tudo o que acontece agora é, acima de tudo, uma campanha antecipada para o comando do grupo nas próximas eleições municipais.

A força da tradição: Alan, Gorete e outras lideranças em caminhada

Há um detalhe que dá peso simbólico e político ainda maior a essa disputa. Alan Silveira não sai sozinho às comunidades. Ele percorre o município acompanhado de sua mãe, a ex-prefeita Gorete Silveira — uma figura que não é apenas familiar, mas parte da própria história e da fundação do projeto político que hoje domina Apodi — e também de outras lideranças que reforçam a amplitude e a capilaridade de seu grupo. Ao caminharem juntos, mãe, filho e demais apoiadores, levam consigo a memória, a tradição e a continuidade. É uma mensagem direta e poderosa ao eleitorado do bacurau: isso aqui é nossa história, e ela não foi entregue a ninguém.

Enquanto isso, Sabino Neto percorre o município com a estrutura da prefeitura, com sua comitiva, levando a mensagem da gestão atual, apresentando seus candidatos e reafirmando que a administração municipal segue o caminho certo. Duas comitivas, duas mensagens, duas formas de se relacionar com o povo — e ambas buscando o mesmo eleitor.

O contraste que o povo sente: ritmo, obras e aprovação

O eleitor apodiense não é surdo nem cego. Ele percebe, compara e lembra. E a diferença entre as duas gestões é visível e sentida no dia a dia do município. A gestão de Alan Silveira ficou marcada pela velocidade, pelo volume de entregas e pela presença constante nas ruas — obras simultâneas em bairros e na zona rural, inaugurações frequentes, uma administração que imprimia um ritmo acelerado de transformação. Seus índices de aprovação historicamente se mantiveram sempre acima dos 70%, um patamar consolidado ao longo de seu mandato.

Já a gestão de Sabino Neto, quase dois anos após assumir, é percebida de forma distinta: mais lenta, com um ritmo de entregas consideravelmente mais cauteloso e, para muitos, decepcionante. O contraste com o período anterior é um dos temas mais comentados nas conversas populares. E mesmo assim, em sua última avaliação, Sabino também registrou um patamar elevado de aprovação — um dado que desafia previsões simples e revela um cenário muito mais complexo do que parece.

O paradoxo da aprovação e a incerteza das urnas

Esse é talvez o ponto mais intrigante da atual conjuntura política de Apodi: ambos os líderes carregam índices de aprovação expressivos, mas com percepções de gestão muito diferentes. O eleitor aprova Sabino, mas sente falta do ritmo de Alan. Reconhece a lentidão, mas ainda confia no atual prefeito. Lembra das obras rápidas do antecessor, mas também reconhece que o tempo passa e a gestão atual tem seus próprios desafios.

O resultado disso é uma imprevisibilidade que nenhum número consegue explicar completamente. Não se sabe o que virá das urnas. A aprovação não se traduz automaticamente em voto, e a saudade de um ritmo mais forte pode pesar mais do que qualquer pesquisa. O eleitor está diante de uma escolha que vai muito além de nomes: é uma escolha entre dois estilos, dois ritmos, duas formas de governar. E ele ainda está decidindo.

A oposição que segue tímida

Enquanto a queda de braço interna acontece sem alarde, a oposição externa ainda não conseguiu se consolidar como alternativa real de poder. Caminha de forma tímida e acanhada, sem penetração eleitoral significativa. Liderada principalmente por Gyliard Oliveira — que foi candidato a prefeito —, a oposição ainda não apresentou força suficiente para desafiar o domínio do grupo situacionista. Por enquanto, a disputa real continua sendo de dentro para dentro. Mas se a divisão interna se aprofundar, esse cenário pode mudar.

Conclusão: a disputa pela alma do grupo

O que está em jogo em Apodi nestas eleições é muito mais do que cargos no Executivo e no Legislativo federal e estadual. É o comando do grupo situacionista. É a definição de quem será a referência política do município nas próximas disputas. É a luta pela identidade histórica do bacurau — aquele eleitorado fiel que não se divide facilmente, mas que agora se vê diante de dois caminhos.

Sabino percorre afirmando que é a continuidade. Alan, ao lado de Gorete Silveira, outras lideranças e toda uma rede de apoios, percorre reafirmando que é a tradição. Ambos com aprovação em patamar elevado. Ambos disputando voto a voto. E o eleitor? O eleitor observa, compara, lembra — e ainda não disse a última palavra. Não há como prever o que virá das urnas. Mas uma coisa é certa: a queda de braço silenciosa entre Sabino e Alan já redefiniu o cenário político de Apodi. E o silêncio entre os dois fala mais alto do que qualquer discurso.

Imagens: Reprodução

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Postado por Eryx Moraes

Jornalista potiguar, nascido em 25 de março de 1985, em Felipe Guerra-RN. Ao longo da carreira, atuou em jornais impressos como O Vale do Apodi e News 360, além de rádios como FM Boas Novas, FM Liberdade (Felipe Guerra) e Rádio Rural de Mossoró. Atualmente, é chefe de redação do portal Mossoró News e chefia a Comunicação do Governo Municipal de Felipe Guerra-RN.

Detentor de amplo conhecimento acadêmico na área do Direito, Eryx também é empreendedor no ramo da perfumaria e da venda direta, unindo experiência em comunicação e gestão a habilidades empresariais.

Reconhecido pelo impacto de seu trabalho no jornalismo regional, recebeu a Cidadania Mossoroense, concedida pela Câmara Municipal de Mossoró-RN, e a Comenda Pedra e Abelha, honraria da Câmara Municipal de Felipe Guerra-RN destinada a filhos da terra que se destacam profissionalmente em outras cidades e regiões.

Com sólida experiência em política, economia, cultura e questões sociais, Eryx se destaca por sua competência, versatilidade e credibilidade, consolidando-se como referência no jornalismo potiguar e como profissional multifacetado em diferentes áreas.

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