Não há como disfarçar: os números falam por si, e o que eles dizem é triste. O Brasil completa mais de dez anos estagnado no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), sem registrar avanço significativo no aprendizado de matemática, leitura e ciências. Os dados oficiais mais recentes divulgados, referentes à edição de 2022, revelam um cenário de imobilidade que deveria ser motivo de profunda reflexão — e de urgência — em todo o país.
Dez anos, os mesmos resultados
Não é exagero dizer que o tempo parou para a educação brasileira. Comparando os resultados de 2012 com os de 2022, a diferença é praticamente nula:
- Matemática: 383 pontos em 2012; 379 pontos em 2022. Queda dentro da margem de erro, sem qualquer tendência de crescimento. A média dos países da OCDE é de 472 pontos — quase 100 pontos acima do Brasil.
- Leitura: 410 pontos em 2012; 410 pontos em 2022. Exatamente a mesma pontuação, dez anos depois. Média OCDE: 476 pontos.
- Ciências: 405 pontos em 2012; 403 pontos em 2022. Praticamente inalterado. Média OCDE: 488 pontos.
Uma década inteira. Governos diferentes, discursos diferentes, milhões de reais investidos — e o resultado, no fim das contas, é o mesmo. O país não avançou um passo.
O dado mais cruel: 73% dos alunos abaixo do nível básico
Se a estagnação da média já é grave, o percentual de estudantes que não atingem o nível mínimo de conhecimento esperado é alarmante:
- Matemática: 73% dos jovens brasileiros de 15 anos não dominam o conhecimento básico — mais de sete em cada dez. Na média da OCDE, esse índice é de 31%.
- Leitura: 50% não alcançam o nível mínimo.
- Ciências: 54% ficam abaixo do patamar considerado essencial.
Isso significa que milhões de jovens estão concluindo o ensino fundamental sem as ferramentas mínimas para entender o mundo, para ingressar no mercado de trabalho, para exercer a cidadania com plenitude. É uma dívida social que cresce a cada ano.
Última aplicação foi em 2025; resultados ainda serão divulgados
A última aplicação do PISA foi realizada em 2025, mas os resultados oficiais só serão divulgados pela OCDE em dezembro de 2026. Até lá, o que temos confirmado é que o quadro de estagnação se arrasta há mais de uma década. E não há motivo para otimismo infundado: sem mudanças estruturais profundas, sem valorização real do magistério, sem investimento que se traduza em aprendizado, os números dificilmente serão diferentes.
A disparidade entre escolas públicas e privadas também permanece sem redução — mais de 100 pontos de diferença em todas as áreas avaliadas. A educação, que deveria ser o maior instrumento de igualdade, acaba reproduzindo e aprofundando as desigualdades.
O preço da estagnação
A estagnação educacional não é apenas um número em uma tabela internacional. Tem consequências reais: menor produtividade, menor capacidade de inovação, menor desenvolvimento econômico e social. Estimativas da própria OCDE indicam que cada ano adicional de escolaridade de qualidade pode elevar o PIB per capita em até 9% no longo prazo. O inverso também é verdadeiro: uma década sem avanços deixa o país para trás, enquanto o mundo avança.
“Não estamos falando de números abstratos. Estamos falando de gerações que passaram pela escola e não tiveram a oportunidade de aprender o que deveriam aprender. E isso é uma perda para todos nós”, resume especialista em avaliação educacional.
A realidade é dura, mas precisa ser encarada. O PISA não é um jogo de classificação — é um espelho. E o que ele mostra, há mais de dez anos, é que o Brasil precisa fazer muito mais do que apenas falar de educação. Precisa, de fato, transformá-la.
Fonte: Relatório PISA 2022 — OCDE. Aplicação de 2025: resultados com previsão de divulgação em dezembro de 2026.
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