Faltando pouco mais de três meses para as eleições de 2026, o cenário da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte parece desenhado para gerar mais dúvidas do que certezas. O eleitor potiguar acompanha com ceticismo uma sucessão de levantamentos que, na prática, oferecem resultados “para todos os gostos”. Praticamente a cada semana, um instituto divulga um quadro; dias depois, outro apresenta uma realidade completamente diferente.
E não se trata de um cenário apenas acirrado, onde pequenas oscilações fazem um candidato aparecer na frente em um momento e outro em seguida. A discrepância é muito maior: o que é visto como terceiro colocado em uma pesquisa, com margem considerável atrás dos primeiros, aparece como líder absoluto em outro levantamento, com vantagens numéricas gritantes que não deixam espaço para empate técnico.
Em um estudo, a vantagem está com Allyson Bezerra, mantendo a tendência que vinha se consolidando até então. Em outro, a liderança passa claramente para Álvaro Dias. Logo em seguida, é Cadu Xavier quem assume o primeiro lugar, com números que, em levantamentos anteriores, o colocavam bem abaixo dos concorrentes. Essa alternância tão brusca levanta logo a primeira grande questão: qual caminho vai prevalecer?
Não sabemos ainda se a polarização nacional entre lulopetismo e bolsonarismo vai se repetir por aqui, levando Álvaro Dias e Cadu Xavier diretamente para o segundo turno. Ou se, ao contrário, Allyson Bezerra realmente mantém a força que os primeiros levantamentos apontavam, rompendo essa lógica e impondo um ritmo próprio à disputa.
Para completar esse quadro de desconfiança, não é só a divergência dos dados que chama a atenção: diversas pesquisas já foram barradas e suspensas pela Justiça Eleitoral, não apenas por suspeitas, mas por indícios concretos de fraudes e irregularidades na realização e no registro. Essa medida judicial reforça ainda mais a sensação de que algo não está correto com parte desses números que chegam diariamente à população.
Mas há uma pergunta ainda mais importante que não pode ficar de lado: qual é a seriedade desses institutos? A quem eles realmente servem e a que se têm prestado nesse cenário? Qual o papel que deveriam cumprir e qual, de fato, têm cumprido?
Se a função de uma pesquisa eleitoral é refletir a tendência real da opinião pública e servir de referência confiável ao eleitor, o que vemos hoje é o oposto. Quando cada levantamento conta uma história diferente, com valores que não se aproximam nem mesmo por estimativa, e quando muitos deles são questionados e impedidos de circular por falhas graves, a ferramenta deixa de ser de informação e passa a funcionar, na prática, como instrumento a serviço de interesses específicos. Fica a impressão clara de que, dependendo do resultado que se quer apresentar, há um instituto disposto a divulgá-lo.
Enquanto isso, o eleitor fica no meio do caminho: sem segurança, sem referência e sem saber em quais números confiar. É hora de questionar: esses dados estão mostrando a realidade das ruas, ou apenas construindo a narrativa que alguns querem ver consolidada?
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