O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas voltou a ganhar força no Congresso Nacional — e um novo alerta chama a atenção para os impactos econômicos da medida. Segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a mudança pode resultar na eliminação de até 18 milhões de postos de trabalho em um período de dez anos, além de provocar uma queda de até 16% no Produto Interno Bruto (PIB) do país.
A proposta tramita por meio de projetos que seguem em análise na Câmara dos Deputados e no Senado. Para entidades do setor produtivo, a redução da carga horária sem alteração na produtividade representará um aumento expressivo dos custos operacionais.
Em entrevista à CNN Money, a gerente trabalhista da Fiemg, Fernanda Ribas, explicou que empresas com maior número de funcionários teriam de ampliar suas equipes para manter o mesmo ritmo de produção e atendimento. “Esse aumento de gastos tende a ser repassado aos consumidores por meio de reajustes nos preços de produtos e serviços, afetando diretamente o poder de compra da população”, alertou.
Especialistas também chamam a atenção para os desafios na organização do trabalho. O pesquisador associado da FGV Ibre, Daniel Duque, avalia que a medida reduz a flexibilidade na distribuição das jornadas, pressionando especialmente o mercado formal. “As empresas podem buscar alternativas como a redução de quadros, investimentos em automação ou até mesmo a adoção de vínculos contratuais mais flexíveis para compensar o aumento de custos”, destacou.
O impacto também deve alcançar serviços essenciais que funcionam de forma ininterrupta, como saúde, segurança, transporte e abastecimento, que dependem de escalas contínuas para manter o funcionamento.
Por outro lado, defensores da proposta argumentam que a redução da jornada traz benefícios como a melhora da qualidade de vida, a redução do estresse e do adoecimento dos trabalhadores, além de estimular ganhos de produtividade por hora trabalhada.
Nesta semana, o governo federal retirou o pedido de urgência para a tramitação da matéria, atendendo a solicitação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB). Com a decisão, a proposta passa a seguir o rito normal de análise, dando mais tempo para que todos os pontos do debate sejam avaliados no Legislativo.
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