Vivemos numa época em que o tempo parece correr mais rápido do que conseguimos acompanhar. Acordamos e a primeira coisa que pegamos é o celular. Antes de dormir, a última coisa que vemos é uma tela. No almoço, no caminho, nos momentos em que deveríamos estar apenas presentes — estamos, na verdade, em outro lugar.
Nós trocamos o silêncio pelo barulho. Trocamos o olhar nos olhos por uma notificação. Trocamos o tempo de pensar por coisas rápidas que desaparecem antes mesmo de conseguirmos sentir de verdade. E o pior é que nem percebemos que estamos perdendo a nós mesmos no meio do caminho.
Quantas vezes você já parou hoje de verdade, sem nenhum som, sem nenhuma imagem, e pensou sobre a sua própria vida? Quantas vezes você ouviu os seus próprios pensamentos em vez de ouvir o pensamento de mil pessoas que não conhece?
O silêncio não é vazio — ele é o espaço onde nascem as ideias, onde se descansa a mente, onde se encontra clareza. Mas nós temos medo dele. Preferimos encher cada segundo com alguma coisa, como se o silêncio fosse um vazio a ser preenchido a qualquer custo. E é justamente por isso que tanta gente se sente perdida, mesmo rodeada de informação e de pessoas.
Quando perdemos o hábito de ficar sozinhos com os nossos pensamentos, acabamos deixando que outras pessoas definam o nosso humor, a nossa opinião, a nossa forma de ver o mundo. E passamos a viver não a nossa vida, mas uma vida emprestada, refletida nos olhos de outros.
Neste fim de semana, proponho um exercício simples. Encontre um momento para ficar em silêncio — sem celular, sem música, sem ninguém. Apenas você e os seus pensamentos. Não tenha pressa. Não fuja. Fique ali. E perceba o quanto de você mesmo já não conhece mais, porque nunca parou para ouvir.
Porque a maior verdade que podemos descobrir não está em nenhuma tela. Está dentro de nós — mas só aparece quando damos espaço para ela.
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