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Eleição presidencial 2026: disputa tecnicamente empatada, mas Flávio Bolsonaro mostra trajetória de crescimento — análise completa dos dados de agosto

A menos de dois meses do primeiro turno, a disputa presidencial de 2026 se apresenta como uma das mais acirradas das últimas décadas no Brasil. Dados das principais pesquisas nacionais de intenção de voto, divulgadas ao longo de agosto, revelam um cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato Flávio Bolsonaro (PL), com uma tendência clara de crescimento do candidato de oposição nas semanas mais recentes. A presença de candidatos de terceira via, especialmente Augusto Cury (Avante), emerge como variável nova e capaz de redefinir o rumo da corrida eleitoral.

Os números do primeiro turno — empate técnico e movimento de crescimento

Para chegar a um quadro confiável, foram compiladas e ponderadas as pesquisas dos principais institutos credenciados no Tribunal Superior Eleitoral, dando maior peso às mais recentes, conforme metodologia adotada. A média ponderada dos resultados mostra Lula com 31,3% e Flávio Bolsonaro com 29,8% — uma diferença de apenas 1,5 ponto percentual, dentro da margem de erro de todos os levantamentos, o que caracteriza empate técnico. O dado mais revelador, porém, está na trajetória: enquanto Lula oscila sem avançar, Flávio cresce de forma consistente ao longo do mês.

A pesquisa mais recente, realizada pela Quaest/TV Globo entre 21 e 24 de agosto de 2026 (Registro TSE BR-09818/2026), com amostra de 1.506 entrevistados e margem de erro de ±3,0%, registrou Flávio Bolsonaro com 31% e Lula com 30% — a primeira vez que o candidato do PL aparece à frente em levantamento nacional. Duas semanas antes, o Datafolha, entre 18 e 20 de agosto (Registro TSE DF-04129/2026), com 2.800 entrevistados e margem de erro de ±2,0%, apontava Lula com 32% e Flávio com 30%. No início da segunda quinzena, o BTG/Nexus, entre 15 e 18 de agosto (Registro TSE MG-07345/2026), com 2.000 entrevistados e margem de erro de ±2,5%, mostrou Lula com 31% e Flávio com 29%. Já nas pesquisas da primeira quinzena, o Gertp, entre 10 e 14 de agosto (Registro TSE SP-11208/2026), com 1.800 entrevistados e margem de erro de ±2,5%, registrou Lula com 33% e Flávio com 28%, e a Veritá, entre 5 e 9 de agosto, com 1.600 entrevistados e margem de erro de ±2,8%, apontou Lula com 32% e Flávio com 27%.

A linha de movimento é inequívoca: Flávio Bolsonaro cresce a uma velocidade aproximada de 0,5 ponto percentual por semana, enquanto Lula mantém-se estagnado entre 30% e 33%. Se essa tendência se mantiver até o dia da votação, o candidato do PL pode ultrapassar o petista ainda no primeiro turno, com projeção de algo entre 34% e 36% contra 32% e 34% de Lula.

Segundo turno: Lula lidera, mas vantagem despenca

No cenário de confronto direto, a média ponderada ainda favorece Lula, com 49,5% contra 45,0% de Flávio Bolsonaro. No entanto, a redução da vantagem do petista é o dado mais impressionante da pesquisa mais recente. Na Quaest de 21 a 24 de agosto, Lula aparece com 48% e Flávio com 47% — praticamente empatados. No Datafolha, a vantagem era de quatro pontos (49% a 45%); no BTG/Nexus, de seis pontos (50% a 44%); no Gertp, de oito pontos (51% a 43%); e na Veritá, de dez pontos (52% a 42%).

A redução de cerca de 1,5 a 2 pontos percentuais por semana na vantagem de Lula projeta um cenário de virada clara de Flávio Bolsonaro no segundo turno, caso a trajetória observada em agosto se mantenha. A projeção aponta para um resultado final entre 52% e 54% para Flávio e 46% a 48% para Lula.

Os outros candidatos — a terceira via e seu impacto decisivo

O cenário, porém, não se resume aos dois nomes principais. A presença de candidatos de terceira via introduz variáveis novas que podem alterar completamente o rumo da disputa. A divisão do eleitorado de oposição e a ascensão de uma força neutra de centro definem hoje os limites de crescimento de cada lado.

Augusto Cury (Avante) desponta como o fenômeno mais novo e surpreendente da campanha. Após o primeiro debate presidencial, as buscas pelo nome do candidato cresceram mais de 1.000% na internet, sinalizando um crescimento real de reconhecimento e intenção de voto, que hoje gira em torno de 5% nas pesquisas. Cury se posiciona como candidato de centro, com viés moderado de centro-direita: rejeita a polarização, defende valores familiares, educação e saúde mental, sem alinhamento rígido a nenhum dos dois blocos. O aspecto mais relevante de seu perfil é que ele atrai eleitores de ambos os lados — de Lula, de Flávio e, principalmente, dos indecisos — de forma aproximadamente igual. Isso significa que seu crescimento não beneficia diretamente nenhum dos dois principais candidatos, mas reduz o tamanho dos dois blocos igualmente, mantendo a disputa empatada por mais tempo.

Romeu Zema (NOVO), com 8,2% das intenções de voto, e Ronaldo Caiado (PSD), com 3,4%, ambos de centro-direita, disputam o mesmo eleitorado que Flávio Bolsonaro. Esse é o ponto central que explica a atual vantagem de Lula no primeiro turno: a oposição está dividida. Zema e Caiado somam juntos cerca de 11,6% — votos que, no segundo turno, tenderiam a migrar massivamente para Flávio, numa proporção estimada entre 70% e 75% do eleitorado de cada um. Enquanto permanecem na disputa, porém, impedem a consolidação do voto útil em torno do candidato do PL, mantendo Lula à frente, mesmo sem crescer.

Renan Santos (Missão), com 2,6%, também do campo da direita, segue sem conseguir expandir sua base e tende a ter seus eleitores absorvidos por Flávio no segundo turno, com estimativa de migração superior a 80%.

Como os votos se redistribuem — o segundo turno muda tudo

A diferença fundamental entre os dois turnos está na redistribuição dos votos dos candidatos que não avançam. No primeiro turno, a divisão do voto de oposição favorece Lula. No segundo, essa divisão desaparece e o efeito se inverte completamente.

Projeções de redistribuição consideram que os eleitores de Zema, Caiado e Renan Santos — todos de centro-direita ou direita — migram majoritariamente para Flávio Bolsonaro, o que pode adicionar entre 6 e 8 pontos percentuais ao seu total. Já os votos de Augusto Cury, por serem de eleitorado mais dividido e de centro, tendem a se distribuir de forma mais equilibrada, com leve vantagem para o candidato do PL, mas sem definir o resultado por si só.

Conclusão

O quadro atual é de disputa tecnicamente empatada no primeiro turno, com leve vantagem para Lula graças à divisão do voto de oposição. Porém, a trajetória de crescimento de Flávio Bolsonaro é o dado mais consistente e preocupante para o campo governista. Se a tendência observada em agosto se mantiver, o segundo turno tende a ser favorável ao candidato da oposição, com a possibilidade de uma virada eleitoral clara. A definição dependerá ainda do comportamento dos eleitores de terceira via e da capacidade de cada candidato de consolidar a sua base nos próximos dois meses.

Fontes: Pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral — Quaest (BR-09818/2026), Datafolha (DF-04129/2026), BTG/Nexus (MG-07345/2026), Gertp (SP-11208/2026), Veritá (sem registro TSE informado). Compilado por Eryx Moraes — Coluna Olhar Crítico / Mossoró News.

Imagem: Reprodução

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Postado por Eryx Moraes

Jornalista potiguar, nascido em 25 de março de 1985, em Felipe Guerra-RN. Ao longo da carreira, atuou em jornais impressos como O Vale do Apodi e News 360, além de rádios como FM Boas Novas, FM Liberdade (Felipe Guerra) e Rádio Rural de Mossoró. Atualmente, é chefe de redação do portal Mossoró News e chefia a Comunicação do Governo Municipal de Felipe Guerra-RN.

Detentor de amplo conhecimento acadêmico na área do Direito, Eryx também é empreendedor no ramo da perfumaria e da venda direta, unindo experiência em comunicação e gestão a habilidades empresariais.

Reconhecido pelo impacto de seu trabalho no jornalismo regional, recebeu a Cidadania Mossoroense, concedida pela Câmara Municipal de Mossoró-RN, e a Comenda Pedra e Abelha, honraria da Câmara Municipal de Felipe Guerra-RN destinada a filhos da terra que se destacam profissionalmente em outras cidades e regiões.

Com sólida experiência em política, economia, cultura e questões sociais, Eryx se destaca por sua competência, versatilidade e credibilidade, consolidando-se como referência no jornalismo potiguar e como profissional multifacetado em diferentes áreas.

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