A convenção de Álvaro Dias (PL) não foi apenas um evento grande: foi a prova de que ele demonstra muito mais força, organização e capacidade de mobilização do que se imaginava até então. O público que compareceu — maior do que os eventos de Cadu Xavier (PT) e Allyson Bezerra (União Brasil) somados — não é só um número: é sinal de que sua candidatura ganhou estrutura e pode reescrever todo o rumo da disputa pelo governo do estado.

Do lado de Cadu Xavier, a realidade é outra: ele foi lançado com o respaldo da atual gestão, mas o desgaste administrativo é evidente e já não consegue atrair novos apoios por si só. Sua campanha depende única e exclusivamente de dois fatores: o empenho direto do presidente Lula e o avanço da polarização. Mas é preciso deixar claro: essa mesma polarização que ele espera que o ajude, favorece também Álvaro Dias.

Já Allyson Bezerra chegou à liderança, mas tudo indica que não tem mais espaço para crescer com o projeto que apresenta hoje. E o risco que ele enfrenta vem de um ponto decisivo: uma parte muito expressiva dos seus eleitores são, na verdade, eleitores de Lula. Hoje eles estão com ele porque não se sentem à vontade com Cadu, mas se o presidente se pronunciar de forma firme em favor do candidato oficial, essa mesma base tende a mudar de lado.
Nesse cenário, o risco de Allyson perder votos é muito grande. Ele não conta com o respaldo de uma liderança nacional que o ampare, não tem mais margem para expandir, ficando exposto e vulnerável a fatores externos à sua campanha, sob os quais não exerce qualquer domínio.
Álvaro, por sua vez, mostrou que está preparado para ocupar o espaço que se abrir. Nada está definido, mas as peças estão se movendo: o que parecia uma caminhada tranquila para um favorito, agora se revela uma disputa onde cada movimento — especialmente o de Lula — poderá decidir quem avança e quem fica pelo caminho na corrida pelo governo do Rio Grande do Norte.

