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Academia: o risco existe, mas não está no lugar. Está no tipo de relacionamento que construímos

É muito comum vermos nas redes sociais conteúdos que fazem um alerta quase sempre dirigido aos homens: que tomem cuidado com esposas e namoradas que frequentam a academia. A mensagem que se repete é que ali é um ambiente sugestivo: corpos em movimento, proximidade física, conversas que começam como ajuda no exercício e podem seguir para outros caminhos. Dizem ainda que nenhuma pessoa é invulnerável: por mais sólido que pareça o vínculo, a tentação não chega com aviso — ela se apresenta como algo inofensivo, e muitos acabam cedendo sem perceber. Concluem que de nada adianta desenvolver o corpo se não se fortalece também o caráter e o compromisso com quem se ama.

Mas essa visão costuma deixar de lado uma verdade fundamental: a vulnerabilidade e o assédio não escolhem gênero. Não são apenas as mulheres que podem ser alvo de aproximações indevidas ou convites que ultrapassam limites — os homens também são, com frequência, alvo do mesmo tipo de abordagem. Ambos estão sujeitos a encontrar situações que testam seus princípios, e nenhum sexo tem mais ou menos caráter, nem maior ou menor capacidade de resistir: o que difere cada caso não é o gênero, mas a integridade de cada um e o quanto a relação satisfaz o que cada um precisa receber.

E há ainda uma realidade humana que quase nunca é mencionada — e que a própria vivência nos confirma a cada dia: qual homem ou qual mulher não gosta de ser notado, admirado ou até desejado? Isso não é defeito, nem vaidade excessiva: é uma necessidade inerente à natureza humana, de sentir que tem valor e importância para alguém. O problema surge quando esse reconhecimento não encontra espaço dentro da própria relação — quando o cuidado, a atenção e o desejo que o outro merece deixam de chegar com a frequência e a intensidade necessárias. Se deixamos de oferecer isso, se o outro não sente que é a pessoa mais especial para nós, ele acaba naturalmente mais suscetível a preencher essa lacuna onde quer que encontre.

Há também um ponto que merece ser dito com clareza: a forma como uma mulher se veste para ir à academia, o quanto ela expõe o seu corpo, nunca autoriza nenhum tipo de assédio ou de desrespeito. Mas essa escolha também diz muito sobre a sua personalidade, e quando ela está comprometida, diz igualmente sobre o seu compromisso com o parceiro — pois o bom senso e o respeito ao vínculo que se firmou devem estar presentes em todos os momentos, inclusive na forma de se apresentar e se portar diante dos outros, como expressão natural do compromisso assumido.

Não podemos negar que há um fundo de verdade nessa observação: em qualquer espaço de convívio próximo, laços podem se estreitar com facilidade, e nenhum ser humano é imune a deslizes se deixar de lado os princípios e o respeito. Mas o erro está em transformar isso em uma regra geral, como se a academia fosse a culpada — ou como se a liberdade de cuidar da própria saúde fosse, por si só, uma ameaça.

E é aqui que vale a verdade que quase nunca aparece nesses alertas: a verdadeira blindagem não é feita evitando a academia. Ela é construída na própria rotina do relacionamento. É na reafirmação e na renovação do compromisso a cada dia, em escolher o outro todas as vezes, em não deixar que a distância, a rotina ou a carência abram qualquer precedente. Porque a carência não escolhe lugar: ela pode abrir caminho para um desvio na academia, mas também no trabalho, numa festa ou em qualquer outro espaço onde a guarda esteja baixa.

Se não há confiança suficiente para permitir que alguém vá, se cuide e conviva em espaços coletivos com tranquilidade — o que realmente sustenta esse relacionamento? A liberdade de ir e vir, de praticar atividades que fazem bem ao corpo e à mente, faz parte da dignidade de cada pessoa. E um amor verdadeiro não exige que alguém se prive de viver para ser considerado fiel ou confiável.

O perigo não mora na academia. Mora na falta de compromisso, na fragilidade da confiança e na ausência de cuidado com o sentimento do outro — coisas que podem surgir em qualquer lugar. O que realmente protege uma relação não é evitar ambientes ou vigiar cada passo: é a escolha diária de honrar quem está ao seu lado, de fazer com que o outro se sinta o mais importante, admirado e desejado do mundo, independentemente de onde cada um estiver.

Imagem: Reprodução

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Postado por Eryx Moraes

Jornalista potiguar, nascido em 25 de março de 1985, em Felipe Guerra-RN. Ao longo da carreira, atuou em jornais impressos como O Vale do Apodi e News 360, além de rádios como FM Boas Novas, FM Liberdade (Felipe Guerra) e Rádio Rural de Mossoró. Atualmente, é chefe de redação do portal Mossoró News e chefia a Comunicação do Governo Municipal de Felipe Guerra-RN.

Detentor de amplo conhecimento acadêmico na área do Direito, Eryx também é empreendedor no ramo da perfumaria e da venda direta, unindo experiência em comunicação e gestão a habilidades empresariais.

Reconhecido pelo impacto de seu trabalho no jornalismo regional, recebeu a Cidadania Mossoroense, concedida pela Câmara Municipal de Mossoró-RN, e a Comenda Pedra e Abelha, honraria da Câmara Municipal de Felipe Guerra-RN destinada a filhos da terra que se destacam profissionalmente em outras cidades e regiões.

Com sólida experiência em política, economia, cultura e questões sociais, Eryx se destaca por sua competência, versatilidade e credibilidade, consolidando-se como referência no jornalismo potiguar e como profissional multifacetado em diferentes áreas.

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