O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), acusou o presidente Lula (PT), nesta quinta-feira (25), de transformar o órgão máximo da diplomacia brasileira em um “puxadinho ideológico do PT”. A declaração foi feita após manifestação do Itamaraty sobre a aplicação de tarifas de 25% pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Para Marinho, é inaceitável que o Ministério de Relações Exteriores tenha adotado uma linguagem de militância e tom de campanha eleitoral, ao reproduzir a tese de que “traidores da Pátria” seriam responsáveis pelas medidas e pelos prejuízos causados aos produtores e exportadores do país.
O senador criticou ainda a justificativa apresentada pelo Itamaraty para a ausência de representantes brasileiros nas audiências públicas do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o que ele classifica como omissão na defesa dos interesses nacionais.
“É estarrecedor como o PT aparelha tudo o que toca. Lula conseguiu transformar o Itamaraty num puxadinho ideológico do PT. O Ministério, que já foi uma das instituições mais respeitadas do Estado brasileiro, agora publica mensagens com linguagem de militância e tom de campanha eleitoral. Diplomacia de Estado virou propaganda de governo. O que era Itamaraty está cada vez mais parecido com um diretório partidário”, afirmou Rogério Marinho.
Retórica eleitoral
A crítica também se estende à posição do governo em relação à participação do senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas audiências nos Estados Unidos, com o objetivo de argumentar contra a taxação.
Em nota, o Itamaraty afirmou que “os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história” e disse que o tarifaço teria origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira. A manifestação faz referência à investigação aberta com base na legislação conhecida como Seção 301, que justificaria a ampliação das tarifas.
Na visão do governo e de aliados, a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria articulado e comemorado a medida anunciada por Donald Trump em junho de 2025. À época, o governo americano alegou que a taxação serviria também para pressionar o Supremo Tribunal Federal, em meio aos processos que resultaram na condenação e inelegibilidade do ex-presidente.
Ao final da declaração, Rogério Marinho fez uma projeção eleitoral: “Por isso e por muito mais, Lula será aposentado pelo povo em outubro”, afirmou, ao prever a vitória de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República.
Foto: Carlos Moura


