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A vida é hoje: o resto são só planos

Fomos educados para viver sempre no “depois”. A escola nos ensina a estudar para passar de ano, depois para o vestibular, depois para o emprego certo, depois para a casa própria, depois para a aposentadoria — como se a existência fosse uma espécie de fila onde só temos permissão de ser felizes quando chegarmos ao fim. A frase que nos guia hoje corta essa ilusão com uma simplicidade que dói: a vida é hoje, o resto são planos.

Não se trata de rejeitar projetos, nem de dizer que não devemos olhar adiante. Planos são bússolas, nos dão direção e evitam que andemos sem rumo. Mas o erro fatal é confundir o mapa com o território, e pior, esquecer que a bússola não substitui o passo que damos agora. Vivemos numa cultura da produtividade que nos faz crer que valemos apenas pelo que vamos conquistar ou pelo que ainda vamos ser, e não pelo que vivemos e somos neste instante. Adiamos abraços, conversas difíceis, alegrias pequenas e até o descanso, tudo sob a justificativa de “estou construindo o futuro”. Mas raramente paramos para perguntar que sentido tem construir um futuro se deixamos de viver a vida que nos cabe no caminho.

Há também um risco na própria frase: ela não significa que devemos abandonar tudo e viver apenas de instantes, como se responsabilidade e paciência fossem inimigas do presente. Há diferença enorme entre adiar a felicidade e trabalhar com calma para realizar algo que vai durar — o que ela nos alerta é para não deixar que o que ainda não existe apague o que é real.

Quantas vezes temos aquele “eu te amo” preso na garganta, pronto para sair, mas seguramos por motivos que depois parecem tão bobos. Dizemos “hoje estou chateado”, “hoje não estou com cabeça”, “deixa para amanhã, quando eu estiver mais calmo”. Mas o amanhã chega, traz outras pressas, outros problemas, e a frase continua ali, engasgada, como se fosse algo que pudéssemos guardar para quando fosse mais conveniente. Até que um dia, sem aviso, a oportunidade se vai. E aquele sentimento que poderia ter sido dito, ouvido e acolhido fica apenas dentro de nós, como uma dívida que nunca conseguiremos pagar com a pessoa que amamos.

Quantas vezes deixamos de olhar nos olhos de quem mora no nosso coração, esperando por uma circunstância ideal que na verdade não existe? O momento certo é só aquele que não deixamos passar. Quantas vezes gastamos noites calculando o que vamos ter depois, sem notar que a pessoa ao nosso lado já cansou de esperar por uma palavra, que o silêncio que deixamos crescer entre nós se tornou maior que o amor que nos uniu, que nós mesmos perdemos a capacidade de ver beleza no simples fato de ter alguém ao lado?

O futuro não é um lugar que vamos chegar. Ele é feito de cada escolha, cada gesto, cada palavra que dizemos hoje. Os planos são apenas hipóteses, dependem de sorte, de tempo, de caminhos que não controlamos. O hoje, ao contrário, está aqui: tem calor, tem toque, tem amor esperando só para ser dito. Não podemos garantir que teremos outra chance para falar o que sentimos, mas podemos garantir que não desperdiçamos esta.

Viver o presente não é deixar de sonhar. É sonhar sabendo que o único jeito de fazer qualquer plano dar certo é cuidando, primeiro, do que está ao seu lado agora. Porque no fim das contas, não levamos nada do que projetamos no papel — levamos apenas o que dissemos, o que amamos e o que fizemos valer a pena, um dia de cada vez.

Foto: Reprodução

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Postado por Eryx Moraes

Jornalista potiguar, nascido em 25 de março de 1985, em Felipe Guerra-RN. Ao longo da carreira, atuou em jornais impressos como O Vale do Apodi e News 360, além de rádios como FM Boas Novas, FM Liberdade (Felipe Guerra) e Rádio Rural de Mossoró. Atualmente, é chefe de redação do portal Mossoró News e chefia a Comunicação do Governo Municipal de Felipe Guerra-RN.

Detentor de amplo conhecimento acadêmico na área do Direito, Eryx também é empreendedor no ramo da perfumaria e da venda direta, unindo experiência em comunicação e gestão a habilidades empresariais.

Reconhecido pelo impacto de seu trabalho no jornalismo regional, recebeu a Cidadania Mossoroense, concedida pela Câmara Municipal de Mossoró-RN, e a Comenda Pedra e Abelha, honraria da Câmara Municipal de Felipe Guerra-RN destinada a filhos da terra que se destacam profissionalmente em outras cidades e regiões.

Com sólida experiência em política, economia, cultura e questões sociais, Eryx se destaca por sua competência, versatilidade e credibilidade, consolidando-se como referência no jornalismo potiguar e como profissional multifacetado em diferentes áreas.

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