A pesquisa do Instituto IPSensus foi divulgada nesta quinta-feira e traz os seguintes resultados no cenário estimulado. Álvaro Dias lidera com 32,5%, seguido por Allyson Bezerra com 27,3% e Cadu Xavier com 16,8%. Também foram citados Robério Paulino com 2%, Rodrigo Vieira com 0,4% e Dário Barbosa com 0,3%. Votos brancos e nulos somam 3,2%, enquanto 17,5% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores em todas as regiões do Rio Grande do Norte entre os dias 18 e 22 de junho de 2026. Tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RN-09520/2026.
Na tentativa de dar crédito a esses números e entender o que está por trás de cada índice, apresento aqui a minha interpretação, construída a partir da observação do contexto atual e da história da política potiguar.
É importante frisar que essa não é a primeira vez que esse cenário aparece. Apesar de Allyson Bezerra, no início da pré-campanha, sempre figurar na liderança com ampla vantagem, os números têm se modificado ao longo do tempo. Já tivemos situações em que até Cadu Xavier apareceu na frente, mas a esses resultados não dou a mínima credibilidade. Agora, ver Álvaro Dias assumir a ponta é um movimento que já se mostrou possível em outros levantamentos recentes.
A liderança de Álvaro Dias e o peso do apoio municipal
Um ponto que salta aos olhos é a estrutura de apoio que ele reúne. Hoje conta com a adesão de mais de 90 prefeitos em todo o estado. Essa capilaridade não é um detalhe qualquer. Na nossa realidade, a avaliação positiva das gestões municipais costuma se refletir diretamente nas eleições estaduais. Quem tem a confiança dos gestores locais geralmente também ganha a confiança de uma parcela significativa da população e isso ajuda a explicar a sua posição de destaque no levantamento.
Esse é um fator que já se mostrou decisivo em eleições passadas. Em 2022, por exemplo, o apoio dos prefeitos foi fundamental para Rogério Marinho. Ele conseguiu superar a sua própria rejeição e também a resistência ao seu perfil como bolsonarista, vencendo a disputa para o Senado numa eleição muito acirrada. Mesmo com todos esses pontos contrários, a força da base municipal fez a diferença e garantiu a vitória.
O desempenho de Cadu Xavier e o contexto da gestão estadual
Já no caso de Cadu Xavier, com 16,8% das intenções de voto, os números carregam outro tipo de influência. A sua candidatura está diretamente ligada ao projeto político do governo estadual. É uma regra que se repete. Quando a administração do Estado enfrenta desgaste ou críticas, quem representa a continuidade desse caminho acaba levando essa percepção em conta. Não se trata apenas de questões individuais, mas do cenário que envolve a sua candidatura.
Os desafios de Allyson Bezerra: estrutura menor e barreira histórica
Allyson Bezerra aparece com 27,3% e enfrenta obstáculos próprios. Ele representa a região Oeste, com Mossoró como principal referência, e conta com uma estrutura de apoio menor se comparada à de outros concorrentes. Mas há outro fator, talvez mais enraizado. Existe um preconceito histórico e característico contra candidatos que partem do solo do Oeste para disputar o governo do estado.
Não é algo novo. A própria ex-governadora Rosalba Ciarlini, também de Mossoró, enfrentou essa mesma resistência ao longo da sua trajetória. É uma visão antiga e equivocada, que divide o estado por regiões e não leva em conta capacidade de gestão ou propostas concretas, mas que ainda influencia a percepção de parte do eleitorado. Essa barreira, somada à menor estrutura, ajuda a compreender o seu posicionamento atual.
Uma forma de interpretar os dados
Deixo claro que essa é a minha maneira de olhar e dar sentido a esses números, buscando conectar o que a pesquisa mostra com a realidade que vivemos e observamos por aqui. Os índices são um retrato do momento, e as explicações que apresento servem justamente para entender melhor o que está por trás de cada resultado.


