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Disputa à Câmara: PL desponta como a nominata mais competitiva; Federações enfrentam risco de quedas no RN

Estamos a menos de dez dias do primeiro turno. A análise que se apresenta toma como referência os mais diversos levantamentos e observações do cenário eleitoral, sem representar resultado oficial, instituto específico ou número registrado. Trata-se de leitura construída a partir da movimentação das candidaturas, da presença territorial, da articulação política e da percepção do eleitorado. Nenhum resultado está dado, mas as tendências desta reta final já desenham caminhos claros.

Para compreender a força atual do Partido Liberal, é fundamental recuar a 2022. Naquele ano, sem candidato próprio ao governo, sem palanque maior e com uma nominata claramente menos competitiva do que a atual, o PL conquistou exatamente metade das oito vagas da bancada federal potiguar — quatro cadeiras. Fez isso com 360.769 votos válidos, número que revelou solidez: nenhum dos quatro eleitos atingiu sozinho o coeficiente eleitoral da época; todos foram eleitos pela média da legenda e pela distribuição de sobras. O detalhe decisivo é que 92,7% da votação do partido concentrou-se em apenas quatro nomes, enquanto os demais somaram juntos menos de 8% do total. Ou seja: com uma nominata mais restrita, desigual e sem puxador estadual, o PL conseguiu eleger quatro.

A realidade de 2026 é radicalmente diferente. Hoje, o partido tem candidato próprio ao governo, uma nominata ampliada, nomes que dialogam com regiões e públicos distintos, e uma distribuição de voto muito mais equilibrada. Se em condições muito adversas a legenda atingiu quatro cadeiras, em cenário favorável e com nominata mais completa, a meta realista é manter essa representação. Ampliar para além de quatro vagas, diante do tamanho da bancada potiguar e da força das demais chapas, constitui hipótese de altíssima dificuldade, praticamente inviável. Quatro nomes lideram a corrida pela renovação: Nina Souza, com base consolidada na capital e região Metropolitana; Cabo Deyvison, que cresce de forma sustentada na região Oeste, partindo de Mossoró; General Girão, reconhecido em todo o estado pela trajetória na área de segurança pública; e Juninho Saia Rodada, que percorreu dezenas de municípios do interior e consolidou uma pré-campanha de forte adesão. Esses quatro formam o grupo com perspectivas mais sólidas de alcançar a cadeira.

Nem todos, porém, estão na mesma zona de segurança. É preciso reconhecer com clareza: há risco real de queda dentro da própria legenda. Carla Dickson assumiu o mandato na transição entre 2024 e 2025, quando Paulinho Freire deixou a Câmara dos Deputados para tomar posse como prefeito de Natal, e exerce a cadeira desde então; migrou para o PL neste ano, mas ainda não conseguiu transferir integralmente sua base de votos para a nova legenda e aparece em posição mais vulnerável do que se esperava. Sargento Gonçalves, que também busca recondução, enfrenta dificuldade para manter o mesmo volume de votação de quatro anos atrás, num cenário onde nomes novos despontam e dividem o espaço. Ambos são parlamentares em exercício, mas a disputa interna é acirrada e a distribuição dos votos entre os candidatos da mesma legenda definirá quem fica e quem sai — o mesmo mecanismo que elegeu em bloco em 2022 pode, agora, deixar nomes de fora.

Na Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, Natália Bonavides caminha com tranquilidade, mantendo posição de liderança consolidada e perspectiva clara de reeleição. O favoritismo percebido para a segunda vaga recai sobre Dr. Bernardo Amorim, que aparece em ascensão e com maior projeção relativa. Mineiro, por sua vez, é um nome de longa trajetória, fidelidade e tradição no partido, sempre competitivo, mas que nesta reta final enfrenta maior risco de queda. Thabatta Pimenta figura como candidata também muito competitiva, com força própria e eleitorado fiel, sem, contudo, igualar neste momento o favoritismo que se percebe em torno de Dr. Bernardo Amorim. A tendência observada aponta, portanto, para possibilidade de reeleição de Natália Bonavides e entrada de Dr. Bernardo Amorim, com Mineiro em posição de maior risco de não retornar — embora todos ainda tenham condições de buscar o voto até o último instante.

Na Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, a disputa é extremamente acirrada entre os três nomes de maior projeção: Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria. Não há favoritismo isolado que afaste qualquer um do grupo; os três seguem em campo com chances reais de conquistar uma das vagas. Dentre eles, porém, é Robinson Faria que aparece em situação de maior risco: a diferença é mínima e a divisão de votos interna entre os três pode definir quais dois seguem. O fato de agora compartilharem a mesma federação criou uma concorrência direta entre eles que não existia antes, e é essa própria proximidade que torna o desfecho imprevisível e coloca Robinson em posição mais vulnerável.

O quadro geral mostra, portanto, um PL em posição de destaque, construído sobre a prova de força de 2022 e hoje com nominata mais robusta e distribuída. A meta realista é a manutenção da bancada atual; a ampliação para além de quatro vagas não se apresenta como cenário crível. Nas demais chapas, a dinâmica interna é o fator decisivo: nomes que hoje ocupam cadeira correm risco real de não retornar, não por força exclusiva de candidatos de outros partidos, mas pela própria redistribuição de votos dentro de suas legendas. Ainda há tempo para movimentos finais, mas o que se apresenta aqui é leitura de conjuntura, sem números oficiais ou declaração de resultado prévio. A decisão final, como sempre, pertence unicamente ao eleitor, nas urnas.

Foto: Encontro do PL em Mossoró/Reprodução/Arquivo

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Postado por Eryx Moraes

Jornalista potiguar, nascido em 25 de março de 1985, em Felipe Guerra-RN. Ao longo da carreira, atuou em jornais impressos como O Vale do Apodi e News 360, além de rádios como FM Boas Novas, FM Liberdade (Felipe Guerra) e Rádio Rural de Mossoró. Atualmente, é chefe de redação do portal Mossoró News e chefia a Comunicação do Governo Municipal de Felipe Guerra-RN.

Detentor de amplo conhecimento acadêmico na área do Direito, Eryx também é empreendedor no ramo da perfumaria e da venda direta, unindo experiência em comunicação e gestão a habilidades empresariais.

Reconhecido pelo impacto de seu trabalho no jornalismo regional, recebeu a Cidadania Mossoroense, concedida pela Câmara Municipal de Mossoró-RN, e a Comenda Pedra e Abelha, honraria da Câmara Municipal de Felipe Guerra-RN destinada a filhos da terra que se destacam profissionalmente em outras cidades e regiões.

Com sólida experiência em política, economia, cultura e questões sociais, Eryx se destaca por sua competência, versatilidade e credibilidade, consolidando-se como referência no jornalismo potiguar e como profissional multifacetado em diferentes áreas.

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