AREIA BRANCA – A realidade de campanhas de conscientização que não se refletem nos serviços básicos de saúde foi exposta por moradores desta cidade. Desta vez, a denúncia parte de uma mãe que luta diariamente pelo tratamento do seu filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e encontra nas prateleiras da Farmácia Básica municipal o mesmo problema que já se tornou rotina para muitas famílias: a falta de medicamentos essenciais para dar continuidade ao tratamento.
Derlanya é a mãe da criança e quem levou a situação a público, questionando o que considera uma grande incoerência por parte da gestão municipal. “De que adianta a prefeitura fazer grandes campanhas de conscientização no mês de abril, dedicado à causa do autismo, se o resto do ano o tratamento e o respeito a esse público é puro descaso?”, questiona indignada.
O medicamento em falta, a Risperidona, é reconhecido pelo Ministério da Saúde como essencial e indicado no protocolo clínico para o atendimento de pessoas com autismo. É um remédio fundamental para controlar sintomas que podem comprometer o desenvolvimento, a aprendizagem e até a convivência familiar. A sua ausência não representa apenas um transtorno burocrático: significa risco real de retrocesso na vida de crianças e adolescentes que já enfrentam tantas barreiras todos os dias.
Um problema que se repete em todas as áreas
A situação na saúde, porém, é apenas mais um capítulo de uma realidade que tem se mostrado constante no município. Como visto recentemente, também na área da educação as denúncias envolvendo atendimento especializado, estrutura e suporte para alunos com necessidades especiais também foram alvo de reclamações, mostrando que o descaso não se restringe a apenas um setor.
O que se observa na prática é que o serviço público oferecido à população de Areia Branca, sob a gestão do prefeito Souza Neto, tem se mostrado marcado por falhas, interrupções e falta de planejamento.
Infelizmente, esse cenário revela uma cultura que acompanha a história do nosso país desde a sua formação. Desde os primórdios, desde a chegada dos portugueses, a lógica quase sempre foi a mesma: o direito que deveria chegar a todos, e principalmente a quem mais necessita, acaba ficando para trás. É uma herança histórica muito forte, essa realidade onde o acesso ao que é público muitas vezes depende mais de quem conhecemos ou da nossa condição do que da própria necessidade. É uma marca que vem de séculos e que, infelizmente, ainda se faz muito presente no nosso dia a dia.
A população de Areia Branca e de todo o município segue aguardando providências concretas. A Prefeitura Municipal e a Secretaria de Saúde, caso queiram se manifestar sobre essa denúncia, têm o espaço aberto para esclarecimentos e para apresentar o que está sendo feito para resolver essa situação.

