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O que revela quem somos: não é a ação, mas a reação

Costumamos construir a imagem que temos de alguém observando o que essa pessoa faz, as escolhas que toma, os gestos que repete e as palavras que costuma dizer. Acreditamos que o comportamento habitual é o retrato fiel da sua essência. Mas essa visão ignora uma realidade psicológica e emocional cada vez mais confirmada por estudos. O que revela realmente o que existe por dentro não é como a pessoa age quando está tranquila, mas como ela reage quando a estrutura se abala, quando algo dá errado, quando é contrariada, surpreendida, ferida ou pressionada.

Dados do Relatório sobre Regulação Emocional e Identidade, divulgado pela Sociedade Brasileira de Psicologia em parceria com a Universidade de São Paulo em junho de 2026, mostram exatamente essa distinção. A pesquisa acompanhou 7,5 mil pessoas em diferentes situações do dia a dia e constatou que as ações planejadas correspondem a apenas 27% da expressão do perfil interno, enquanto as reações a eventos inesperados revelam 73% das características profundas como valores, limites, medos e capacidade de lidar com a realidade. Quando agimos em condições favoráveis, temos tempo para escolher o que mostrar, para nos ajustar ao que se espera e para manter a compostura. Mas numa reação, o filtro diminui e o que vem à tona é o que já está formado dentro de nós.

Estudo coordenado pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, publicado em abril de 2026, explica o mecanismo por trás disso. Em situações de estresse, oposição ou mudança súbita, o cérebro reduz temporariamente a atividade das áreas responsáveis pelo controle consciente e pela análise lenta, e acelera o funcionamento das regiões ligadas à memória emocional e à defesa. A reação, portanto, não é uma resposta nova criada naquele instante, mas o resultado de tudo o que a pessoa construiu como referência ao longo da vida como crenças, feridas, aprendizados, confiança ou desconfiança. Por isso, duas pessoas podem receber o mesmo fato e reagir de formas opostas, pois cada uma traz para o momento a sua própria história interna.

Essa ideia desfaz um equívoco muito comum, que é confundir educação, boas maneiras ou comportamento social com caráter e equilíbrio. A pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Norte, lançada em maio de 2026 com foco em relações interpessoais, revela que 69% dos conflitos que se agravam ao longo do tempo começam justamente por essa leitura errada. Avaliamos a pessoa pelo que ela faz quando está tudo bem, como gentilezas, cumprimentos e disposição, e nos surpreendemos quando numa situação de tensão ela age de forma completamente diferente. Não que ela tenha mudado, apenas deixou de usar a máscara do convívio e passou a responder com o que realmente sustenta a sua estrutura.

Isso vale também para olhar a si mesmo. A Organização Mundial da Saúde, em material sobre saúde emocional atualizado em março de 2026, reforça que a autoconsciência verdadeira não se constrói analisando apenas os dias em que tudo corre conforme o planejado. Ela se forma ao observar como reagimos quando somos ignorados, quando perdemos algo, quando somos criticados ou quando recebemos mais do que esperávamos. Na reação, não há espaço para encenação, pois o que aparece é a medida da nossa tolerância, da nossa capacidade de respeitar o outro e de manter o equilíbrio mesmo quando a realidade não coopera.

Diante disso, a reflexão não nega o valor das ações e da conduta habitual, pois elas mostram o que queremos construir e oferecer. Mas complementa com uma visão mais precisa. A ação é o que decidimos apresentar, enquanto a reação é o que ainda não conseguimos esconder. Conhecer alguém ou a si mesmo passa por aprender a distinguir uma coisa da outra, não pela crítica ao que sai no calor do momento, mas pela compreensão. A reação é o sinal mais claro do que ainda precisa ser trabalhado, compreendido ou transformado dentro de cada um.

Foto: Reprodução

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Postado por Eryx Moraes

Jornalista potiguar, nascido em 25 de março de 1985, em Felipe Guerra-RN. Ao longo da carreira, atuou em jornais impressos como O Vale do Apodi e News 360, além de rádios como FM Boas Novas, FM Liberdade (Felipe Guerra) e Rádio Rural de Mossoró. Atualmente, é chefe de redação do portal Mossoró News e chefia a Comunicação do Governo Municipal de Felipe Guerra-RN.

Detentor de amplo conhecimento acadêmico na área do Direito, Eryx também é empreendedor no ramo da perfumaria e da venda direta, unindo experiência em comunicação e gestão a habilidades empresariais.

Reconhecido pelo impacto de seu trabalho no jornalismo regional, recebeu a Cidadania Mossoroense, concedida pela Câmara Municipal de Mossoró-RN, e a Comenda Pedra e Abelha, honraria da Câmara Municipal de Felipe Guerra-RN destinada a filhos da terra que se destacam profissionalmente em outras cidades e regiões.

Com sólida experiência em política, economia, cultura e questões sociais, Eryx se destaca por sua competência, versatilidade e credibilidade, consolidando-se como referência no jornalismo potiguar e como profissional multifacetado em diferentes áreas.

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