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Problemas no iFood em Mossoró: consumidores enfrentam descumprimento de prazos e fuga de responsabilidade

Mesmo com sistema que permite rever tempos de entrega, estabelecimentos marcam sucessivas previsões, nunca cumprem e sempre jogam a culpa em terceiros; cliente fica com frustração mesmo com dinheiro de volta

Imagem: Ilustrativa/Reprodução

Mossoró — Buscando praticidade numa manhã de domingo, um consumidor da cidade decidiu fazer seu pedido numa panificadora pelo iFood às 6h20 da manhã. A promessa era de entrega rápida para o café da manhã, mas a realidade foi bem diferente: o pedido só chegou às 10h10 da manhã. Como ele mesmo comenta com revolta: “Você pede para um café da manhã e recebe no horário do almoço”. E o pior: durante todo esse tempo de espera, ele teve que reclamar várias vezes, pedir novas previsões e ouvir apenas desculpas esfarrapadas, vazias e sem nenhuma explicação real.

Esse caso não é um erro isolado, mas o retrato exato do que milhares de mossoroenses enfrentam todos os dias. O que deveria ser praticidade se transformou em uma luta diária contra atrasos intermináveis, promessas que nunca se cumprem e uma prática comum que revolta quem paga pelo serviço: a total fuga de responsabilidade por parte da plataforma e dos estabelecimentos cadastrados.

Muita gente pensa que a ferramenta de previsão de entrega é o problema, mas na verdade, analisando com calma, ela existe justamente para dar transparência: quando algo sai do planejado, o consumidor tem o direito de pedir uma nova previsão, o estabelecimento tem 5 minutos para responder e todos ficam cientes do novo tempo. O mecanismo é justo, lógico e necessário. O problema grave, que vira rotina e lesa o consumidor, não é a ferramenta — é o uso abusivo, desonesto e irresponsável que fazem dela.

O que se vê diariamente nos pedidos feitos em Mossoró é uma sequência clara de quebra de contrato repetida, desrespeito total ao que foi combinado e uma fuga constante de responsabilidade, onde ninguém nunca erra, ninguém nunca tem culpa, e o prejuízo e a frustração sempre ficam com quem pagou pelo serviço.

Prometer, descumprir, prometer de novo e descumprir outra vez: essa é a regra

Funciona assim, na prática, para qualquer usuário da cidade:

1. Você escolhe o estabelecimento, analisa o prazo informado, paga pelo produto e pela entrega, e fecha um contrato silencioso mas absoluto: “vocês oferecem entregar em determinado tempo, eu aceito e pago por isso”. Esse é o acordo comercial, e ele tem valor legal.
2. O tempo inicial acaba, a entrega não chega: primeira quebra de contrato. Você usa o sistema corretamente e pede uma nova previsão, como permite a plataforma.
3. O estabelecimento, quando se digna a responder dentro do prazo de 5 minutos, define um novo tempo: mais 10, 15, 20 minutos. Você aceita, na esperança de que agora será cumprido, renovando a confiança e o acordo.
4. Esse novo tempo passa, e novamente não entregam: segunda quebra de contrato. E a cena se repete quantas vezes forem necessárias: pedem nova previsão, eles marcam, descumprem. É comum ver dois, três, até quatro prazos diferentes sendo prometidos e nenhum deles cumprido — como no caso da panificadora, onde o que deveria ser refeição da manhã chega quando o dia já está bem avançado.

Não é um atraso pontual, um imprevisto isolado que pode acontecer com qualquer um: é uma prática sistemática, uma rotina de não cumprir o que se vende. E o pior: eles usam a própria ferramenta da plataforma para fazer isso, transformando um recurso que deveria ser de transparência em um instrumento de enrolação, usado apenas para evitar que o consumidor cancele logo no início e fique esperando indefinidamente.

A desculpa que nunca muda: a culpa é sempre de outro

Se o descumprimento sucessivo já fosse absurdo o suficiente, o que mais revolta e mostra a má-fé é a postura de quem presta o serviço: nunca, em hipótese alguma, assumem a responsabilidade. Em nenhum momento você vai ouvir uma resposta honesta como: “desculpa, nós erramos na produção, nós nos organizamos mal, nós aceitamos mais pedidos do que tínhamos capacidade de atender”.

A resposta padrão, copiada, colada, vazia de qualquer sinceridade e sempre pronta, é única e serve para todos os casos: jogar a culpa para terceiros, como se eles, donos do negócio e responsáveis pelo atendimento, não tivessem nenhum controle sobre o que acontece dentro do seu próprio estabelecimento:

“Estamos com problema com entregadores no momento”
“Demanda muito alta hoje, está difícil para todos”

E para “fechar com chave de ouro”, vem aquele mero pedido de desculpas genérico, que não resolve nada, não explica nada e não traz a comida para a mesa. É um jogo de empurra-empurra desonesto: o estabelecimento fechou o pedido, aceitou o dinheiro, sabia da sua capacidade — mas na hora que dá errado, a culpa é do entregador, é da demanda, é do sistema, nunca é deles. Eles tratam o consumidor como se ele não percebesse a lógica mais básica do comércio: quem vende, tem a obrigação de entregar o que prometeu, no tempo que combinou.

O prejuízo que ninguém devolve

Quando a paciência acaba e o consumidor resolve cancelar, sim, recebe o dinheiro de volta: o valor da comida e a taxa de entrega são estornados integralmente. Mas isso não resolve o problema principal, nem apaga o abuso que foi cometido:

  • O contrato foi quebrado diversas vezes sem nenhuma consequência para quem o rompeu;
  • O tempo perdido, o planejamento arruinado, a fome e a sensação de ter sido enrolado não são devolvidos por nenhum aplicativo;
  • A taxa de entrega, muitas vezes cara e pesada no bolso do consumidor, é cobrada por um serviço que nunca foi prestado — e a plataforma e o estabelecimento saem impunes, sem dar nenhuma explicação real ou satisfação ao cliente.

Para o iFood e seus parceiros, parece que basta devolver o dinheiro para que tudo esteja resolvido. Mas para quem vive em Mossoró, a realidade é outra: o dano não é só financeiro, é moral e de confiança. É cansativo ter que brigar por algo que deveria ser simples: receber o que pagou, na hora que foi combinada.

A lei é clara: quem oferece, é obrigado a cumprir

O Código de Defesa do Consumidor (Artigos 30 e 35) não deixa dúvidas: toda informação apresentada para o usuário — incluindo prazos, previsões e condições de entrega — integra o contrato de compra e venda e tem força de obrigação. Quando o aplicativo ou o estabelecimento informam um tempo de entrega, eles estão se comprometendo legalmente a cumpri-lo. Alterar esse tempo diversas vezes, ignorar pedidos de informação e jogar a culpa em outros é, na prática, descumprimento de oferta e prática abusiva, prevista e punida por lei.

A prática de dar sucessivas previsões que nunca se cumprem também se caracteriza como publicidade enganosa, pois induz o consumidor a continuar esperando, criando uma falsa expectativa de que o pedido está chegando, quando na verdade não há nenhum compromisso real de entrega.

A indignação de quem faz a economia girar

Mossoró é uma das cidades mais importantes do estado, com um comércio forte e consumidores que pagam seus impostos e exigem respeito. Mas o que se vê com o iFood é um tratamento de segunda classe, como se a população local aceitasse qualquer coisa, desde que tenha o dinheiro de volta.

“O pior não é atrasar, todo mundo entende que imprevistos acontecem. O pior é mentir, enrolar, dar desculpas esfarrapadas e nunca assumir o erro. Eles acham que devolvendo o dinheiro está tudo certo, mas não está. Eu quero o serviço que eu contratei, não o meu dinheiro de volta”, desabafa o consumidor que passou pela situação na panificadora, e que poderia ser qualquer um dos milhares de usuários da cidade.

Não é pedir demais. Os consumidores de Mossoró apenas querem o cumprimento daquilo que foi vendido. Se não podem entregar no prazo, que não ofereçam o tempo. Se aceitam o pedido, que sejam responsáveis por ele do início ao fim. Chega de jogar a culpa nos outros, chega de previsões falsas, chega de tratar o cliente como se ele não soubesse dos seus direitos.

O problema do iFood em Mossoró não é só de logística: é de respeito, é de compromisso e é de vontade de fazer o serviço direito. E até que isso mude, a frustração continuará sendo o prato principal servido para quem pede comida pelo aplicativo na cidade.

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Postado por MOSSORÓ NEWS

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