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Turismo e economia: por que Mossoró não pode mais adiar seu Centro de Convenções

Especialistas e lideranças defendem o projeto como peça-chave para consolidar a cidade entre os grandes polos de eventos do Nordeste.

Expofruit 2025, Feira Internacional da Fruticultura Tropical Irrigada, na Estação das Artes, em Mossoró (RN), de 20 a 22 de agosto. – Reprodução

Há mais de 20 anos Mossoró tenta concretizar o sonho de possuir o seu Centro de Convenções.
Detentora de um calendário de eventos que impressiona, a cidade busca há mais de duas décadas erguer um espaço à altura de sua vocação para o turismo de negócios e eventos, mas até hoje sem êxito.

Em 2002, por meio de uma parceria público-privada (PPP), que é um contrato de concessão entre o Estado e a iniciativa privada para prestação de serviços públicos ou construção e operação de infraestruturas, o Governo do Estado, a Prefeitura de Mossoró, a Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM) e a então Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM) firmaram convênio para a construção da primeira fase do que viria a ser o Centro de Exposições e Eventos Enéas Negreiros (Expocenter Mossoró).

Na época, a ACIM, entidade responsável pela Feira Industrial e Comercial da Região Oeste (FICRO), transferiu, em 2007 o evento da Estação das Artes para o Expocenter, onde permaneceu até 2016.
Durante esse período, governos mudaram, a ESAM foi federalizada, transformando-se em UFERSA, que passou a utilizar os recursos federais prioritariamente para ampliar sua própria estrutura, inviabilizando a expansão do Expocenter.

A ACIM, única entidade que arcava com as despesas e enfrentava impasses burocráticos, como a obtenção do habite-se junto ao Corpo de Bombeiros, decidiu se retirar do projeto. Ressarcida pelos investimentos feitos, foi a última a se desvincular da iniciativa.

Em 2017, a FICRO retornou à Estação das Artes, que viria a ser reformada anos depois, e permaneceu ali até 2024. Neste ano, o evento passou a ocorrer no Thermas Hall, em formato indoor.
Desde então, o Expocenter tem sido utilizado pela UFERSA em eventos acadêmicos e, ocasionalmente, por feiras privadas, como a Expofruit, o Salão Imobiliário, a Feira do Empreendedor do Sebrae e o Mossoró Oil & Gás Energy (MOGE), considerado o maior evento do gênero na América Latina. Em 2025, o MOGE será realizado na área de eventos do Partage Shopping Mossoró.

Histórico de tentativas e frustrações

Ainda em 2003, o Governo do Estado anunciou a construção do Parque da Cidade, que incluiria um centro de convenções em sua área, localizada em frente ao Garbos Trade Hotel e ao lado do Thermas Spa & Resort. O terreno chegou a ser cercado e divulgado, mas o projeto foi abandonado e a área permanece tomada pela vegetação.

Desde 2013, o Mossoró Convention & Visitors Bureau, hoje presidido pelo empresário hoteleiro Rútilo Coelho, vem mantendo viva a pauta da construção do centro de convenções. A entidade resgatou projetos originais, promoveu debates, articulou com o poder público e privado e segue atuando também em outra causa estratégica: a modernização do Aeroporto Dix-sept Rosado, atualmente sob administração da Infraero e em processo de investimento de R$ 80 milhões.

O Convention Bureau segue defendendo a bandeira do centro de convenções e, com entidades como a ACIM, CDL e Sindilojas, foi responsável pela oficialização do calendário de eventos de Mossoró, que soma 35 eventos em 2025, uma média de três por mês, consolidando a cidade entre as mais ativas do Nordeste no segmento.

Potência regional em eventos e negócios

Com eventos de projeção regional, nacional e internacional, Mossoró comprova sua vocação para o turismo de negócios e eventos.
O setor já figura como um dos pilares da economia local, ao lado da produção de petróleo (maior produtora terrestre do país), do sal marinho (95% da produção nacional) e da fruticultura tropical (polo exportador).

Estudos da UERN em parceria com a CDL demonstram, desde 2017, o impacto econômico positivo do Mossoró Cidade Junina, um dos três maiores festejos juninos do país, e das feiras MOGE e Expofruit.
Durante esses eventos, a rede hoteleira local não comporta toda a demanda, sendo necessário hospedar visitantes até no litoral da Costa Branca. Representantes de mais de 30 países já participam anualmente das feiras.

Falta de estrutura gera perdas econômicas

Apesar do potencial, Mossoró ainda sofre com a ausência de um centro de convenções. A cidade perde oportunidades de sediar grandes eventos e congressos, o que resulta em evasão de receitas.
Um exemplo marcante foi a perda da 17ª edição do Festival Brasileiro de Folclore, em 2021, por falta de estrutura física e apoio estatal. O evento, que traria cerca de 4 mil visitantes, representaria um enorme impacto econômico local.

A construção do centro de convenções significaria um salto qualitativo para o turismo de negócios, fortalecendo os setores de hospedagem, transporte, gastronomia e entretenimento.

Perspectivas e novos debates

Atualmente, o tema voltou à pauta. O Mossoró Convention deverá se reunir com a ACIM e a Infraero para discutir alternativas.
Entre as possibilidades em estudo estão a utilização de áreas do Aeroporto Dix-sept Rosado ou de terrenos pertencentes à UERN, como o do antigo Parque da Cidade.

Há também rumores sobre o interesse de grupos empresariais locais em investir na construção.
Com o período eleitoral de 2026 se aproximando, o assunto tende a ganhar força no debate público.

Mossoró reúne todas as condições para reafirmar sua posição de destaque regional.
O centro de convenções não é apenas um sonho antigo, mas uma necessidade estratégica para o desenvolvimento econômico da cidade.

Turismo é desenvolvimento.

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Postado por Oberi Penha

Oberi Penha é um Consultor de Turismo e Eventos, com reconhecimento do MTur/EMBRATUR e da Organização Mundial do Turismo (OMT).

Ele exerce o cargo de Secretário Executivo do Mossoró Convention & Visitors Bureau, entidade representativa do trade turístico de Mossoró e região.

Como Administrador da agência de Turismo receptivo Continente Costa Branca, tem forte atuação no desenvolvimento do Turismo de Mossoró e da região da Costa Branca. Na área de eventos, desde 2003, coordena a realização da Feira Industrial e Comercial da Região Oeste (FICRO), uma das maiores feiras de negócios do RN.

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